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terça-feira, 18 de julho de 2017

Desarticulações emocionais

Jane Maiolo

“Quem és tu senhor?”[1]

Entre os anos 750 e 730 a.C, aproximadamente, Isaías, considerado pelos pais da igreja, o maior de todos os profetas, desponta com as suas divinas previsões. É Isaias quem primeiramente antevê a vinda D’aquele que iria alterar a trajetória e a cronologia da histórica humana, o Cristo.

Anuncia o profeta: "Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel." [2]

Zacarias registra: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta." [3]

Miqueias anota: "Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." [4]

Emmanuel, orientador espiritual de Francisco Candido Xavier, no livro O Consolador , questão 276 , elucida que “nos textos sagrados das fontes divinas do Cristianismo, as previsões e predições se efetuaram sob a ação direta do Senhor, pois só Ele poderia conhecer bastante os corações, as fraquezas e as necessidades dos seus rebeldes tutelados, para sondar com precisão as estradas do futuro, sob a misericórdia e a sabedoria de Deus.”[5]

Há 750 a.C. era anunciada a vinda do Cristo. Há dois mil anos o Governador espiritual do orbe , sob os auspícios do Pai , nasce cumprindo toda a programação elaborada por Ele mesmo a fim de lecionar o amor incondicional aos homens terrenos.

A humanidade se inquieta.Desconjunta-se.

A criatura humana sempre admitiu, concebeu e desejou a existência de um ser superior , dotado de poderes que pudesse livrá-la das teias do mal e trazer um mundo vindouro.

O homem do século XXI é o mesmo ser das mais remotas civilizações apenas com milênios de experiências acumuladas no capítulo do progresso intelectual, moral e material. Ora protagonista de experiências que o elevam, que o transformam , que o educam, ora protagonista ou coadjuvante de cenas sofríveis , perturbadoras e desarticuladoras.

As desarticulações emocionais fazem parte do processo de crescimento socio-psíquico e emocional do homem. Nossos estados íntimos alteram-se ao ritmo dos nosso humores. Nessas polivalências emotivas somos capazes de arriscar a própria vida em favor de alguém ou alguma causa, para logo em seguida ingressarmos ao estado de intranquilidade sintonizando-nos com o mal. A coragem e a covardia são estados súbitos da alma.

“Quem és tu senhor?” –interrogaria Saulo de Tarso há dois mil anos , ele um destacado rabino ,vanguardeiro da lei, dos escritos e dos profetas , foi surpreendido com o fenômeno da luminescência naquele dia de sol abrasador nos acessos que conduziam a Damasco.

“Tú es o Filho do Deus Vivo”- exclamaria Pedro. O pescador que conviveu com o mestre por três breves anos.

Coragem e covardia. Devotamento e receio. Entusiasmo e abatimento.

Quem és tu senhor?

Ainda não conseguimos compreender quem é esse Ser que nos serve de modelo e guia [6] que não nos pede nada e nos ensina tudo.Que fala sem palavras e indica sem constranger.

Quem és tu senhor?

Passam-se os milênios e não somos capazes de responder essa indagação. Entretanto tal qual o senador Públio Lentulus ainda clamamos: “Não sei compreender a tua cruz e ainda não sei aceitar a tua humildade dentro da minha sinceridade de homem, mas, se podes ver a enormidade de minhas chagas, vem socorrer, ainda uma vez, meu coração miserável e infeliz!...”[7]

Preciso é desvendar o Cristo para nos convertermos em trabalho de edificação no bem. O momento requer trabalhadores afinados com o propósito de renovação pelo qual a comunidade terrestre avança. 

O homem saberá quem é o Cristo quando suas ações diminuirem as dores , as aflições e o sofrimentos dos seus semelhantes.

Articulemos nossos sentimentos sintonizando-os com o pensamento crístico que convida a todos a servir sem exigir reconhecimento.

Quem és tu , Senhor? E disse o Senhor ao moço de Tarso: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. [8]

Permita Jesus que possamos atingir os fins a que nos propomos,apresentando condições de convertemos ao seu amor e participar do movimento crescente de esperança no mundo vindouro.


Referências Bibliográficas:

1-Atos 9:5

2-Isaias 7:14

3- Zacarias 9:9

4-Miqueias 5:2

5-Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, questão 276, RJ: Ed. FEB 2000.

6- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 625- Rio de Janeiro: Ed FEB, 2007

7- XAVIER, Francisco Cândido. Há dois mil anos ,cap. V, ditado pelo Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001

8-Idem 1



*Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Dirigente da USE Intermunicipal de Jales. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O Rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP –Blog do Bruno Tavares –Recife/PE e outros sites espíritas - Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita.
E-mail  janemaiolo@bol.com.br -

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Será Chico Xavier a reencarnação de Allan Kardec? (*)


AMÉRICO DOMINGOS NUNES FILHO
 amecgs@gmail.com
 Rio de Janeiro, RJ (Brasil)


Chico Xavier disse, em 28 de agosto de 1988, em entrevista ao Diário da Manhã, de Goiânia-Goiás, respondendo à pergunta se seria Kardec reencarnado: “Não, não sou. (...) digo isto com serenidade. Não sou. Consulto a minha vida psicológica, as minhas tendências. Tudo aquilo que tenho dentro do meu coração sou eu. Não tenho nenhuma semelhança com aquele homem corajoso e forte que, em doze anos, deixou dezoito livros maravilhosos”.
Pelo contrário, no programa “Pinga-Fogo 2”, Chico relatou ter vivenciado, em diversas existências, um intelectual derrocado e veio como médium para resgatar essa dívida. Assim se expressou: “... nos informamos com ele [Emmanuel] de que, em outras vidas, abusamos muito da inteligência, nós em pessoa...” e, igualmente, reproduz as seguintes palavras de Emmanuel: "Você não escreverá livros, em pessoa, porque você mesmo renunciou a isso... Seu Espírito, fatigado de muitos abusos dentro da intelectualidade, quis agora ceder as suas possibilidades físicas a nós outros, os amigos espirituais”.
Segundo essa informação, seria impossível Chico Xavier ter sido Kardec, visto que o Codificador foi vitorioso em sua missão, não se limitando apenas à observação do fenômeno da comunicação mediúnica, já que se aprofundou nesse intercâmbio e descortinou amplamente o universo espiritual, tomando conhecimento de suas leis e de suas relações com o mundo físico. 
Ao contrário do brilhante trabalho intelectual desempenhado por Kardec, Chico se caracterizou apenas como intermediário dos Espíritos, sabendo-se que a codificação kardeciana ressalta que não existe médium perfeito (Revista Espírita, fev. 1859, “Escolhos dos Médiuns”) e o melhor de todos é aquele que tem sido menos enganado (“O Livro dos Médiuns”, cap. 20, nº 226, 9ª). 
Contudo, em qualquer revelação, o critério adotado por Kardec da Universalidade dos espíritos deve ser sempre empregado, utilizando-se o crivo da coerência, passando tudo pelo bisel da criticidade, sem que seja o pesquisador possuído por qualquer forma de extremismo. É válido o pensamento esclarecedor do Espírito Erasto, encontrado, em “O Livro dos Médiuns”, 2ª parte, cap. XX, item 230:  “Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa”.

Importante ressaltar que Kardec não reencarnaria para ser assistido por um Espírito (Emmanuel), que responderia por ele a todas as perguntas, em todos os momentos, como foi verificado exaustivamente no programa Pinga-Fogo 1. Aliás, o próprio médium disse que compareceu à televisão com a permissão de Emmanuel. A propósito, Emmanuel sempre exortava o médium a respeitar a Doutrina em sua fidelidade e citava Kardec como referência, com reverência. Em nenhum momento, o guia espiritual fez menção ao fato de Chico ser o próprio codificador e nem o tratava como tal. Como ninguém ignora, era comum Emmanuel dar reprimendas no médium, advertindo-o com rigor inúmeras vezes, como no episódio do avião, quando Chico manifestou ruidosamente medo de morrer.
 Enquanto Allan Kardec demonstrava pulso firme e resoluto no trato com as pessoas, sendo denominado até mesmo de “Apóstolo da Verdade”, o médium não sabia dizer “não”, chegando ao ponto de engolir uma barata que se encontrava na sopa para não deixar a dona da casa constrangida (“Lindos Casos de Chico Xavier”, páginas 196-197). O Codificador, certamente, alertaria a todos os comensais do grave fato ocorrido. Certa feita, o querido Chico, com medo de fazer desfeita, comeu desbragadamente por insistência de sua anfitriã e, no final, ainda foi tachado de glutão e guloso.
Kardec apresentava-se equidistante das religiões tradicionais, sendo portador de uma religiosidade marcante, alicerçada na fé raciocinada, separando-a do religiosismo (misticismo, exterioridade, culto), restabelecendo a fé pelo raciocínio, tendo sido morto na fogueira pela Igreja, quando vivenciou a personalidade ímpar do reformador religioso João Huss (século XV d.C.). 
 Chico, quando católico, era extremamente beato e praticava com fervor os sacramentos. Também colecionava ilustrações de santinhos em sua gaveta, o que foi constatado após sua desencarnação. Intensamente místico, carregou na procissão uma pedra enorme na cabeça e, “pagando os seus pecados”, afastando o “diabo”, seguia à risca as receitas paroquiais (repetia mil vezes seguidas a oração da Ave-Maria). Largou a Igreja Católica devido à sua extraordinária mediunidade.
 A calvície, que muito incomodava o Chico, era retocada por uma peruca ou escondida por um vistoso boné. Kardec apresentava uma incipiente calvície e parecia não se incomodar com isso.
 O médium, opostamente ao codificador, sempre se depreciava, intitulando-se “besta”, “um nada”, “capim” e “verme”. Na infância, Chico era espancado barbaramente pela mulher que o acolheu em sua casa, como igualmente teve sua barriga ferida com garfo. E foi, até mesmo, obrigado a lamber as feridas da perna de um primo. Chico, no recreio, sofria muitas surras, apanhando dos colegas a socos e pontapés. O médium era perseguido por obsessores e acometido por perturbações espirituais. 
 Na escola, no Castelo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça, como discípulo do famoso educador Pestalozzi, Kardec com quatorze anos de idade já orientava seus pares, ensinando aos seus colegas menos adiantados.
 A mãe de Chico, em mensagem psicografada, lhe disse que não encarasse a mediunidade como uma dádiva, porque “imperfeito como era não merecia favores de Deus” (“As Vidas de Chico Xavier”, pág. 57). Emmanuel exortou-o à prática da disciplina. O Espírito Eça de Queiroz observou no médium “porções de sofrimentos, pedaços de angústia esterilizadora, recordações tristonhas, lágrimas cristalizadas” (“As Vidas de Chico Xavier”, pág.56). Em outra ocasião, sentindo intensa dor, solicitou a presença de Emmanuel, que duramente lhe disse: Sua condição não exonera você da necessidade de lutar e sofrer, em seu próprio benefício (“As Vidas de Chico Xavier”, pág.74).
 Chico disse a Arnaldo Rocha que o próprio Kardec veio, em Espírito, orientá-lo no início de suas atividades  
 O confrade Arnaldo Rocha (ex-marido de Meimei e amigo íntimo de Chico Xavier desde 1946), falando sobre o saudoso médium, em palestra proferida na União Espírita Mineira, disse que é uma estultice essa ideia de que Chico e Kardec sejam o mesmo Espírito, e fez conhecer um diálogo que tiveram, no qual o médium lhe informou de que ele fora, em verdade, a Srta. Japhet, a médium que teve papel considerável na revisão dos textos da primeira edição de “O Livro dos Espíritos” e que o próprio Kardec veio, em Espírito, orientá-lo nos primeiros meses de sua preparação como espírita iniciante, na cidade de Pedro Leopoldo.    (N.R.: o vídeo dessa palestra pode ser visto clicando-se   em http://vimeo.com/9098617.)
Pode-se afirmar, baseado na veracidade da previsão do Espírito da Verdade sobre a volta muito breve de Kardec (“Ausentar-te-ás por alguns anos”), que o codificador possa perfeitamente ter errado nos seus cálculos, desde que, para a Espiritualidade Superior, alguns anos representam muito mais do que três a quatro dezenas de anos (“a minha volta deverá ser forçosamente no fim deste século ou no princípio do outro”).
A hipótese de Chico ser Kardec também foi repelida por Herculano Pires (“O melhor metro que mediu Kardec”, segundo Emmanuel), na obra “Curso Dinâmico de Espiritismo.

(*) Fonte: Revista O Consolador  -  link    http://www.oconsolador.com.br/ano5/209/especial.htm

Intersexualidade, o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea” (Jorge Hessen)


Jorge Hessen

Em 2012, Zainab, uma parteira queniana, fez o parto de uma criança intersexual (que possui órgãos genitais masculinos e femininos). Quando a mãe viu que o sexo do bebê não estava definido, ficou surpresa. O marido pediu para que Zanaide matasse o bebê, mas Zanaide pegou a criança para si e cuidou dela, embora sob riscos, pois na comunidade em que reside, assim como em outras no Quênia, um bebê intersexual é visto como mau presságio, que traz maldição para a família e até para os vizinhos. [1]

A Intersexualidade em seres humanos é alguma alteração de caracteres sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como inteiramente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual, como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo. [2]

Georgina Adhiambo, diretora-executiva da ONG Voices of Women, que trabalha para reduzir o estigma contra pessoas intersexuais no Quênia, disse que o assunto ainda é um tabu. Atualmente as opções de tratamento dos intersexuais variam muito. Alguns pacientes não precisam de cuidados, enquanto outros podem precisar de remédios ou terapia hormonal. Há ainda aqueles que precisam de cirurgia – opção que costuma ser protelada até a puberdade, para que a própria criança possa escolher seu sexo.

A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas à questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgêneros. Porém, tanto a intersexualidade quanto a transexualidade são temas polêmicos, e menos discutidos do que deveriam. Talvez por isso não se compreenda exatamente do que se trata, e essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito.

Ademais, sobre o tema, uma pessoa pode ser cisgênero ou transgênero. O cisgênero se identifica com o gênero correspondente ao sexo biológico, ou seja, se possui órgão sexual feminino é uma menina, se possui órgão sexual masculino é um menino. É o que todo mundo considera regra. Já o transgênero é a pessoa que contesta essa regra, que não tem seu gênero definido pelo sexo biológico. Muitas vezes o transexual se identifica com o gênero oposto ao sexo com que nasceu. Podemos dizer que o transexual é transgênero, mas nem todo transgênero é transexual.

Um estudo realizado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicado pela revista Psychological Science, concluiu que as crianças transgênero começam a reivindicar um gênero diferente, ao mesmo tempo que as crianças cisgênero se identificam com o gênero correspondente ao sexo biológico, por volta dos 2 anos. É como se a criança olhasse no espelho e não se reconhecesse. É uma expectativa constante de que ela vá acordar no corpo certo.

Independentemente das demarcações e definições controversas, a sociedade dará sinais de avanço quando compreender a neutralidade de gênero, e que o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea”.

Ainda sobre a “transexualidade”, por exemplo, Emmanuel adverte que “encontramo-nos diante de um fenômeno perfeitamente compreensível à luz da reencarnação. Inobstante as características morfológicas, o Espírito reencarnado, em trânsito no corpo físico, é essencialmente superior ao simples gênero masculino ou feminino.” [3]

O mentor de Chico Xavier ainda acrescenta que “aprenderemos, gradualmente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade em si exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.” [4]

Além disso, aprendemos com o autor de “Há dois mil anos”, “que é urgente amparo educativo adequado [aos sexuais e morfologicamente diferentes], tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual”. [5] E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna “os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.” [6]

Referências bibliográficas:

[1]Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39852313 , acessado em 14/07/2017
[2]Money, John; Ehrhardt, Anke A. (1972). Man & Woman Boy & Girl. Differentiation and dimorphism of gender identity from conception to maturity. USA: The Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-1405-7.
[3]XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, RJ: Ed. FEB, 1977
[4]idem
[5]idem

[6]idem

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O PRINCÍPIO É IGUAL AO FIM

Fernando Rosemberg


Creio que o maior obstáculo de nossos Espíritos infantes, no sentido de compreender-se que Deus É um Espírito Eterno, Uno e Transcendente, esteja também no fato de que nossas vidas encontram-se esfaceladas pela noção do tempo que o Mundo nos impõe, dificultando nossa noção do Eterno, do Incriado, característica mesma do Supremo, Inteligência das inteligências, do Pai, conforme Jesus.

Para nós, inseridos no tempo, temos a impressão de que o mesmo existe, quando, ao íntimo de nós mesmos, sabemos dos paradoxos de sua permanência pouco permanente, pois que é ilusório, e, pois, criado e estabelecido pelos movimentos de rotação e de translação do nosso Orbe, o que, por sua vez, nos passa a forte e nítida impressão de sua existência, de sua realidade, conquanto sua notória irrealidade.

Logo: não vivemos no tempo e sim no ‘não-tempo’, ou, noutros termos: na perenidade de nós mesmos, uma vez que somos Espíritos imortais que, criados por Deus, gozam de vida para todo o sempre, mas não de eternidade, pois que: só Deus É Eterno, um Ser que, propaga-se, seja Causa e Efeito de Si Mesmo, que não tendo início tampouco terá fim.

Há uma sentença espiritista que nos dá, de modo um tanto paradoxal, certa noção do tempo, bem como, da eternidade divina; ela ministra que:

“Deus há criado sempre, cria incessantemente e jamais deixará de criar”!

Nela, pois, vemos que, de certa forma, o tempo surge como um “Tempo” de Deus, pois que:

‘Deus há criado sempre’...

Ou seja: no ontem, no passado!

E, ao centro da sentença, temos:

‘Deus cria incessantemente’...

Que nos parece ser no hoje, no presente instante!

E, concluindo, afirma que:

‘Deus jamais deixará de criar’...

Reportando-se, quiçá, ao amanhã, ao futuro de Sua Divina e Interminável Criação! Mas dita sentença parece referir-se, também, e óbvio, de modo paradoxal, a algo de Sua Eternidade, desde sempre e para sempre, pois que jamais deixará de criar.

Assim, pois, se para nós, confinados no tempo, tudo parece ter um tempo, pois nascemos (início), vivemos e morremos (fim), no caso de Deus: isto não existe, mas poder-se-ia conjecturar com uma bela sentença de notável pensador, que, filosofando, alega que:

“Para Deus, início e fim não se distinguem como para nós, pois que Ele É o próprio Início que É igual ao próprio Fim, Início que não se iniciara e Fim que não se findará, pois que tais se confundem, paradoxalmente, no Eterno, ou, na própria Eternidade Divina”!

De tal forma que: se para Deus, filosoficamente:

“O Inicio É Igual ao Fim”!

E que, matematicamente, se descreveria pela seguinte e paradoxal formulação equacionária:

[( INÍCIO ) = ( FIM )] (*)

E, Deus: não tendo Início, e, tampouco Fim, então se conclui, ou, poder-se-ia concluir que, de fato:

“Deus É Eterno”!

Pois que, certamente, o seu Início se confunde, ou, se confundirá, com o seu próprio Fim, ou seja, com algo, de Sua Eternidade mesma: que, de fato, não tem como ter-se iniciado, e, portanto, não tem como se findar!

(*) Expressões matemáticas são apenas coisas simbólicas, e, pois, abstracionais. Ora, tomemos como exemplo o número oito (8). Tal número não existe, mas tem forte influência, como todos os demais números, em nossas vidas. Ora, se você dividi-lo ao meio, no sentido longitudinal, teremos duas bolinhas, ou, dois zeros; se você deitá-lo, teremos a simbologia do infinito; se você cortá-lo em sentido transversal, teremos o número três (3) invertidos tal como se “ele” estivesse se olhando num espelho. Que coisa fantástica são os números: eles nos parecem reais e irreais, matéria e espírito, mas não são nada disto, são apenas entes matemáticos, símbolos que expressam algo de nossas vidas e para as nossas vidas, que, aliás, são mais abstratas que físicas, pois que somos Espíritos imortais, o Comandante do biológico, do material que há em nós, que, enfim, serve para o nosso aprendizado, nossa sabedoria, nossa espiritualidade!

UM GRANDE ABRAÇO A TODOS;
SALUTARES REFLEXÕES FILOSÓFICAS:

Fernando Rosemberg Patrocinio

terça-feira, 11 de julho de 2017

O Espírita no velório, cerimônia do “até já”,“até logo”, “nos veremos em breve” (Jorge Hessen)



Jorge Hessen

Certa vez, um confrade segredou-me que não permitirá velórios no sepultamento de seus familiares mais próximos, porque é totalmente contra tal tradição mortuária. Não vê lógica doutrinária nesse tipo de cerimonial. Crê que após constatada a desencarnação, em no máximo algumas poucas horas, deveriam ser feitos os preparativos para o sepultamento, sem rituais religiosos.

Busquei esclarecê-lo de que velório ou “velação” não é necessariamente um ritual religioso”, portanto não está associado a religiões, até porque seu início dá-se quando a pessoa está doente e precisa de ser velada, cuidada, vigiada. Pois é! A origem da palavra velar que dá origem a velório vem do latim "vigilare", que dá significado de vigilância. E mais: o termo velar não se refere às "velas", flores, missas, cultos, mas (repito) ao verbo "velar" (de cuidar, zelar).

O dicionarista define o verbo velar como "ficar acordado ao lado de (alguém)", "ficar acordado durante (um tempo)" e ainda "manter-se de guarda, vigia" dentre outras definições. O termo tem uma conotação exata se de fato as pessoas que vão "velar" o falecido, realmente o fazem com atitude de zelo, vigília, respeito e de despedida do corpo que serviu ao espírito durante a experiência que se encerra.

É evidente que velar o defunto é atitude respeitável. No velório devemos orar respeitosamente ao amigo que se despoja do corpo físico, dirigindo-lhe por exemplo (como sugestão) a prece indicada por Allan Kardec contida no cap. XXVIII, item 59 do Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado “Pelos recém-falecidos”. [1] Protocolarmente ou não, no velório nos solidarizamos com os parentes e amigos do “morto”, auxiliando no que for preciso, seja ofertando um abraço fraterno ou apenas a presença serena, numa empatia repleta de misericórdia, na base da paciência e do estímulo, da consolação e do amor, como nos instrui Emmanuel. [2]

Em contrapartida, em muitos casos essa celebração se desviou, e muito, do sentido ético, pois acima das emoções justificáveis por parte dos parentes e amigos, ostenta-se um funeral por despesas excessivas com coroas de flores, santinhos, escapulários, velas que podem ser usados em doações a instituições assistenciais, conforme instrui André Luiz. Ouçamo-lo: Os espíritas devem dispensar, nos funerais, as honrarias materiais exageradas e as encenações, pois considerando que "nem todo Espírito se desliga prontamente do corpo", importa, porém, que lhe enviemos cargas mentais favoráveis de bênçãos e de paz, através da oração sincera, principalmente nos últimos momentos que antecedem ao enterramento ou à cremação. Oferenda de coroas e flores deve transformar-se "em donativos às instituições assistenciais, sem espírito sectário". [3]

Social, moral e espiritualmente, quando comparecemos a um velório exercemos abençoado dever de solidariedade, proporcionando consolação à família. Infelizmente, tendemos a fazê-lo por desencargo de consciência formal, com a presença física, ignorando o decoro espiritual, a exprimir-se no respeito pelo recinto e no esforço de auxiliar o desencarnado com pensamentos elevados.

Ora, o desencarnado precisa de vibrações de harmonia, que só se formam através da prece sincera e de ondas mentais positivas. Em o livro Conduta Espírita, o Espírito André Luiz mais uma vez adverte-nos para "procedermos corretamente nos velórios, calando anedotário e galhofa em torno da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios ao pé do corpo inerte. O recém-desencarnado pede, sem palavras, a caridade da prece ou do silêncio que o ajudem a refazer-se. “É importante expulsar de nós quaisquer conversações ociosas, tratos comerciais ou comentários impróprios nos enterros a que comparecermos". Até porque a "solenidade mortuária é ato de respeito e dignidade humana". [4]

Deploravelmente, poucos se dão ao cuidado de conversar baixinho, principalmente no momento da remoção do cadáver do recinto para a “catacumba”, quando se amontoam maior número de pessoas. Temos motivos de sobra para a moderação, cultivemos o silêncio, conversando, se necessário, em voz baixa, de forma edificante.

Podemos fazer referências ao finado com discrição, evitando pressioná-lo com lembranças e emoções passíveis de perturbá-lo, principalmente se forem trágicas as circunstâncias do seu falecimento. Oremos em seu benefício, porque “morre-se” como “se vive”. Se não conseguirmos manter semelhante comportamento, melhor será que nem compareçamos ou nos retiremos do ambiente, evitando alargar o estrepitoso coro de vozes e vibrações desrespeitosas que afligem o recém-desencarnado, até porque o “morrer” nem sempre é o “desencarnar”.

Referências bibliográficas:

[1]     Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 59, RJ: Ed. FEB, 1939
[2]     Xavier, Francisco Cândido. Servidores no Além, SP: Editora – IDE, 1989
[3]     Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed FEB, 1999
[4]     Idem

Será transcomunicação Instrumental é um fenômeno mediúnico?

           
José Sola
Alguns experimentadores do fenômeno de transcomunicação instrumental alegam a possibilidade de acontecer este sem a interferência de um médium, afirmando de que os espíritos se comunicam diretamente através da matéria, então vamos analisar a possibilidade ou impossibilidade de o fenômeno acontecer, sem a presença de um médium de efeitos físicos, - pois a realização do fenômeno é inquestionável - médium este que irradia o ectoplasma.

E para que realizemos esta análise, vamos nos utilizar dos parâmetros da lógica e da razão, pois a vida em sua manifestação é lógica e racional, tanto é assim que para descobrirem um fenômeno, os homens, e em especial os cientistas, necessitam criar leis, premissas, formulas, axiomas, o que deixa evidente de que a causa desse fenômeno é inteligente, não o fosse, e estas manifestações inteligentes, não encontrariam campo de aplicação.

O ectoplasma é uma força psiconervosa, diáfana elaborada pelo ser humano (médium), é uma energia que combina o plasma nervoso, com o psiquismo.
Vejamos o que nos diz André Luiz, a respeito dessa energia que todos nós a possuímos, em maior ou menor intensidade.

“– Mas está força nervosa é apenas propriedade de alguns privilegiados da Terra? - Não replicou Alexandre – todos os homens a possuem com maior ou menor intensidade; entretanto, é preciso compreender que não nos encontramos, ainda no tempo de generalizar as realizações. “(...)   (Livro “Missionários da Luz” capítulo Materialização, página 121.

Mas vamos continuar nossa analise, pois recebemos de um amigo, informações, que embora elementares, pois não me enviaram detalhes, mas informam que os fenômenos que a transcomunicaçao vem apresentando demonstram claramente que a Coordenação das transmissões não são de humanos. Por quê? Porque exigem capacidades sobre humanas, das quais os fenômenos que a “Transcomunicaçao vem apresentando demonstram claramente que a Coordenação das transmissões não são de humanos.”

O espirito por mais evoluído seja não tem como criar uma lei, pois as leis que se manifestam como causas de um fenômeno, são derivadas da Lei Divina, e esta é o pensamento de Deus manifesto na vida. O espírito apenas co-cria, utilizando-se da substancia, plasma divino (matéria prima) que se manifesta do Criador no infinito do universo. Porém essas leis que antecedem a qualquer fenômeno, já existem. O espirito em seu processo maturativo (evolução), descobre esta lei e a aplica, pois ele próprio (espirito) é a manifestação da Grande Lei, vivendo um momento mais maturado da substância. Não existem fenômenos sobrenaturais, o que chamamos de fenômenos sobrenaturais, são fenômenos que ignoramos ainda, no momento evolutivo em que nos demoramos. 

Os cientistas não criaram as causas que antecedem a manifestação de um fenômeno, as descobriram, e elaboraram as formulas premissas, e os axiomas, que lhes permite explicar o mecanismo inteligente que possibilita ao fenômeno se manifeste. Mas isso não é possivel enquanto o espirito não mature as suas potenciações intelectivas permitindo-lhe fazer uso da lógica e da razão, pois o cientista aplica à lógica e razão na elaboração das formas que lhes permite compreender o mecanismo que possibilita ao fenômeno aconteça.

Mas vamos verificar o que nos informa Kardec a respeito de espirito e matéria, vejamos:
27 – Haveria, assim, dois elementos gerais do universo: a matéria e o espírito?
R – Sim, e acima de ambos, Deus, o criador, o pai de todas as coisas.

E essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento matéria é necessário ajuntar o fluido universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, demasiado grosseira para que o espírito possa exercer alguma ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, se pudesse considera-lo como elemento material, ele se distingue por propriedades especiais. (...)

O Espírito da Verdade responde a Kardec de que existem dois elementos gerais do universo, o espírito e a matéria, entretanto o esclarece de que acima de ambos está Deus, o Criador, o pai de todas as coisas. E o informa ainda de que esses três elementos, são o princípio de tudo o que existe.

E apresenta-nos uma revelação extraordinária, que não temos ainda dado à devida atenção, informando-nos de que ao elemento matéria é necessário ajuntar o Fluido Cósmico Universal, que possibilita ao Espírito (Deus), interagir sobre a matéria.

Já estamos informados de que o Fluido Cósmico Universal (psiquismo) está para Deus, tanto quanto o princípio psíquico está para nosso “Ser”. Deus manifesta sua vida no universo, através do Fluido Universal, o espírito manifesta sua vida ao corpo através do principio psíquico (corpo espiritual).

E lembramos de que assim como não nos é necessário pensar, para que nossos órgãos físicos exerçam suas funções inteligentes, para que o sistema endócrino desempenhe suas atividades inteligentes e especificas mesmo, que os anticorpos executem a tarefa inteligente e raciocinada de defender nosso corpo, que vírus e bactérias desenvolvam vida, e encontrem campo de ação para habitar nosso organismo. Deus não necessita demorar-se a pensar para manifestar Sua Vida no universo, pois assim como os diversos corpos que se demoram em condições vibracionais diferenciadas, radicados um ao outro, em simbiose absoluta permanecem em unicidade, permitindo ao espírito manifestar a vida, insuflando os demais elementos (corpos) que constituem o “Ser”; a Vida Suprema e inteligente do universo, Deus, se manifesta no infinito do mesmo, sem a necessidade de raciocinar a vida para que esta aconteça, pois Ele é a vida absoluta que Se manifesta no universo infinito, da qual fazemos parte.

E nos informa também de que a matéria propriamente dita é demasiado grosseira para que o espírito possa exercer alguma ação sobre ela.

E o elemento (corpo psíquico) que possibilita manifestemos os infinitos atributos que herdamos de Deus, e que o trazemos em potenciação no núcleo da alma (inconsciente puro), é o corpo espiritual, que conforme o Espírito da Verdade poderíamos considera-lo como elemento material, ele se distingue por propriedades especiais. E André Luiz corrobora essa afirmativa vejamos: 

“Claro está, portanto, que é ele santuário vivo em que a consciência imortal prossegue em manifestação incessante, além do sepulcro, formação sutil, urdida em recursos dinâmicos, extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra faixa vibratória, à face do sistema de permuta visceralmente renovado, se distribuem mais ou menos a feição das partículas coloides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição especifica e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajusta”.

(Em nota o autor espiritual explica de que se utilizou desses elementos comparativos, por não haver meios de comparação mais adequada). (Ver o livro “Evolução em “Dois Mundos, de André Luiz” Capitulo: Corpo Espiritual e Corpo Mental).

Descrevi a questão de Allan Kardec e um tópico do livro Evolução em Dois Mundos, capitulo Corpo Espiritual e Corpo Mental, no intento de corroborar de que o espirito não tem a possibilidade de atuar diretamente na matéria bruta.

Conforme pudemos observar nas palavras desses amigos espirituais, o espirito vai envolvendo a matéria de maneira gradativa, pois Kardec nos diz de que poderíamos considerar o corpo espiritual como um corpo material, entretanto, está seria matéria em outra dimensão, e André Luiz nos informa dos elementos de matéria em outra dimensão, apresentando-a em analogia a feição das partículas coloides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição especifica e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajusta.

E para que o corpo espiritual se revista da matéria que o reveste, - o corpo físico, - ele necessita do corpo energético (períspirito), pois conforme aprendemos na doutrina espírita, é o períspirito o elo que permite as células de matéria, se agrupem ao espirito.

Parece-me, que nestas informações de Kardec e de André Luiz, tanto quanto no conhecimento de que para envolver o espirito é necessário o corpo energético, (períspirito), somos informados de que o espirito não tem como atuar diretamente na matéria.

E sequenciando a questão  27 de o Livro dos Espíritos, apresentamos as palavras de Erasto.

“Que é um médium? É o ser, é o indivíduo que serve de traço de união aos Espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens: Espíritos encarnados. Por conseguinte, sem médium, não há comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas, de qualquer natureza que seja. (Erasto).” (LM, cap. XXII, item 236)

Mas como minha intenção não é negar o fenômeno de transcomunicação, pois este é real, aproveitamos algumas informações que um amigo nos enviou, pois essas informações conferem, vejamos: “Mas se você visse nossos e-books, onde são incluídos vídeos ao vivo gerando os fenômenos, veria que nada tem a ver com nossa parca capacidade.

“Esses seres manipulam as moléculas de ar para produzir vozes e manipulam fótons para produzir transimagens”.

Não assisti a essas experiências realizadas pelos experimentadores, mas as aceito porque demonstram lógica nos dados informativos que estes apresentam, existem algumas informações passadas pela ciência, que não permitem serem reproduzidas, entretanto a lógica as corrobora, e outras que podem ser reproduzidas, mas que se torna desnecessário, por já haverem recebido a aprovação universalizada da humanidade como é o caso da relatividade apresentada por Einstein. 

Quanto ao fato de os espíritos interagirem nas células do ar propiciando condições para que as vozes se manifestem, manipulando as partículas da luz, os fótons produzindo cores variadas, também é um fato, e isto corroboro por que vive experiências, em reuniões de efeitos físicos, durante cinco anos, e esses fenômenos aconteciam.

E desejo lembrar de que os espíritos interagem nas células e moléculas dos médiuns, pois para que um fenômeno de efeitos físicos se desenvolva, é necessário que o médium irradie o ectoplasma, - na parapsicologia esta energia é denominada de ectoplasmia - tanto quanto e também parte das células que compõem seu corpo físico, pois quando o espirito se utiliza só do ectoplasma, a materialização fica incompleta, o espirito se apresenta com uma cor esbranquiçada, e às vezes indefinida.

E desejo lembrar ainda que a médium Senhora D’Esperance enquanto estava na cabine, servindo de médium de efeitos físicos, se desmaterializava por completo em seu corpo de matéria.

Presenciei também a desmaterialização de materiais sólidos, como acontecia varias vezes, em que os espíritos desmaterializavam as barras de ferro da cabine, e colocavam a médium presa à poltrona, em cima da mesa, sendo que ao terminar a reunião a cabine permanecia fechada com cadeado.

Presencie ainda, o fenômeno de levitação, pois levitavam uma vitrola antiga, que flutuava próximo ao teto, está era manual, os espíritos lhe davam corda enquanto levitada e, depois a depositavam em cima da mesa.

Mas vamos agora falar da voz direta, pois os experimentadores falam deste fenômeno acontecendo em seus estudos, e eu concordo plenamente, pois durante o período de minhas experiências, presenciei o espírito se comunicando através de um cone, o diretor espiritual da casa que era o Padre Zabeu se utilizava do cone, o fazia levitar, e nos dava uma boa noite.

Para que este fenômeno acontecesse, ele plasmava uma garganta ectoplasmatica, está não era visível é lógico, mas mesmo assim era necessário movimentar as células do ar, imantando o ambiente para que a voz se manifestasse.

Mas entendo de que para isto, o espirito se utilizava do ectoplasma do médium, não era o cone o instrumento que propiciava este fenômeno, sem a força mediúnica, o espirito não poderia falar, pois não teria como agir direto na matéria.

Outro fenômeno interessante de que nossos amigos informam haver obtido, é o fenômeno da luz, este fenômeno era constante, em quase todas as sessões de materialização os espíritos os reproduziam.

Este fenômeno pode ter duas fontes de origem, uma delas pode ser a manifestação da luz do próprio espírito, mas para que isto aconteça, os espíritos necessitam criar campo apropriado na ambiência, pois é o psiquismo a energia que propicia a luz se gere se manifeste.

E outra possibilidade é a de os espíritos, estarem provocando o acontecimento da luz, através do átomo, pois aprendemos em física de que a luz é uma onda média que tem sua origem quando adicionamos um potencial ao átomo, e o elétron sobe para as orbitas mais elevadas e na queda para a sua orbita de origem, o mesmo provoca uma onda média, que produz a luz, a este fenômeno denominamos de salto quântico, sendo que a luz se irradia em forma de partículas atômicas, os fótons.

Mas no meu entender para que os espíritos reproduzam esses fenômenos necessitam de uma energia que lhes permita atuar na matéria, pois como retro informei Kardec e André Luiz, nos dizem de forma explicita de que essa façanha é impossível.

Acredito que os experimentadores da transcomunicação, entendem que os espíritos elaboram uma energia, que lhes permitem interagir com a matéria sem qualquer intervenção humana.

Existindo essa possibilidade, com certeza, receberemos da parte desses estudiosos informações de qual é o meio de que os espíritos se utilizam para que a comunicação aconteça, pois  que o fenômeno acontece, não resta a menor duvida.

Como podemos verificar, a causa é a mesma, o espirito, os fenômenos são os efeitos, entretanto, a discordância acontece apenas quanto ao meio de comunicação, nós os espiritas de um modo geral, entendemos que esse meio é o ectoplasma, e os espiritas que experienciam a transcomunicação, acreditam que esta comunicação aconteça diretamente através da matéria.

Usemos a lógica e a razão e vamos continuar, pois esta questão é importante que seja esclarecida, e com certeza teremos muito que dizer, este é um tema de estudo que requer a nossa atenção, pois como já informei que o fenômeno existe, se corrobora, então vamos verificar esse impasse. 

Importa-nos lembrar de que como espíritos desencarnados, não estaremos adquirindo propriedades miraculosas, que nos permitam modificar as leis naturais, isso não acontece, pois o próprio espirito está subordinado a Lei Divina.

Nossos amigos nos informam ainda de que os fenômenos de transcomunicação são realizados por espíritos superiores, entretanto esta possibilidade tampouco se afirma, pois mais rarefeito é o períspirito, mais diáfano é o espirito, e, portanto encontra maior dificuldade para atuar na matéria, este é um conhecimento adquirido nas obras básicas, e largamente extrapolado por vários estudiosos, encarnados e desencarnados.

Concordo com meus amigos da transcomunicação de que os dirigentes desses estudos, tanto quanto, os que dirigem os fenômenos de materializações são evoluídos, superiores mesmo, entretanto, os espíritos que aparecem materializados, tanto quanto os que realizam os fenômenos materiais na transcomunicação, são de uma evolução menor, pelo fato de serem menos rarefeitos e encontram maior afinidade para atuar na matéria.

Ao afirmar de que quanto mais evoluído é o espírito, maior dificuldade este encontra de interagir na matéria, não pretendo dizer que a matéria sólida impõem obstáculos a esses espíritos, pelo contrario, os espíritos veem através da matéria, e também a atravessam como se esta não existisse, e acredito mesmo que este seja o motivo da impossibilidade do espírito interagir na matéria.

E esta experiência eu vivi, quando tinha nove anos de idade, foi a minha primeira vidência, pelo menos foi à primeira em que tive a certeza de que estava vendo um espirito. Vi o espirito de uma mulher, surgir da parede da casa, atravessar o quintal da minha, a mesma levitava, e depois se fundiu na parede da outra casa vizinha.

Hoje sei de que ela não saiu da parede, e que tampouco se fundiu na outra, mas que em seu percurso ela apenas atravessou as paredes, pois estas, não lhe impunham qualquer obstáculo, entretanto o mesmo não acontecia com a minha visão.

A comunicação dos espíritos, utilizando-se da matéria sempre existiu havendo sido utilizado pelos espíritos no sentido de chamar a atenção da humanidade sobre a sobrevivência da alma, sendo desta forma o advento do espiritismo.
Quando nosso mestre Jesus, entendeu de que já era hora de apresentar o Consolador prometido, se utilizou das mesas girantes, e através da tiptologia, iniciou-se a comunicação entre os encarnados e os desencarnados.

Kardec convidado a assistir esses fenômenos, depois de havê-lo presenciado lhe perguntaram, agora você acredita que as mesas falam? E ele respondeu não, existe alguma força que através dela se comunica.

E o mesmo acontece com o fenômeno de transcomunicação, fazendo parte do grupo de experiências, existe um médium de efeitos físicos que favorece a realização do fenômeno. Tanto é verdade que existem vários grupos que vivem essa experiência, entretanto, nem todos conseguem obtê-la.

Não houvesse essa necessidade, se para tanto bastasse uma técnica, e qualquer pessoa que tentasse a obtenção desse fenômeno alcançaria êxito, pois hoje os métodos para obter a transcomunicação estão aprimorados, mas sabemos que são raros os grupos que alcançam essa possibilidade.

Concordo de que os fenômenos equivocadamente denominados espiritas sempre existiram, mas os fenômenos não são espiritas, pois o espiritismo não criou esses fenômenos, os mesmos fazem parte da vida no universo, ao espiritismo coube a relevante função de estuda-los, descobrindo lhes as causas, eliminando os supostos mistérios.

E mais, aprendemos no espiritismo, de que todos nós somos médiuns, e sabemos que existem médiuns que trazem a faculdade aflorada em varias religiões, então está evidente de que a mediunidade é um fenômeno natural a todo o ser humano.

Acreditar que o espírito se comunica diretamente através da matéria inerte, ou seja, do computador, da televisão, ou da telefonia, é desconhecer a lei de afinidade, pois o espirito não tem como atuar como envolver a matéria inerte, e desta realidade somos informados por André Luiz, e pelo espirito de Erasto, pois eles nos esclarecem de que o espirito se comunica através do espirito.  Quando do fenômeno denominado morte, esta realidade se confirma, pois não é possível a um espírito desencarnado, se incorporar através de um cadáver, mesmo que este haja sido médium.

Não ignoramos que psiquismo, corpo energético, matéria, e centelha divina ou espírito, períspirito, e matéria, permanecem radicados, pois apreendemos em física, de que a matéria é formada de células, ou moléculas, as células formam a matéria sólida, as moléculas a liquida e a gasosa, e de que as células e as moléculas são formadas de átomos, então vamos verificar a intervenção de um principio inteligente atuante nos átomos e nas moléculas.

Digo centelha divina ou espirito, porque a centelha divina, como nos informa Kardec, é essência, partícula de Deus que encerra em seu núcleo os atributos divinos que herdamos do Criador, atributos esses que manteremos em potenciação, como um eterno vir a ser, na evolução infinita que nos está reservada na eternidade.

A centelha divina é o principio inteligente que insufla a matéria de vida, e que através da evolução anímica, vai maturar os atributos que encerra em potenciação e vai transformar-se em espírito, lembrando de que no reino mineral e vegetal, se manifesta como principio inteligente, só podemos chama-lo de espirito a partir do reino animal, e na configuração de humanoide, o espirito fará sua evolução na eternidade.

Lembramos de que na molécula da agua, temos dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, se não existisse um psiquismo inteligente, já definido como causa; como explicar o agrupamento desses átomos, sendo que um deles difere dos outros dois, em sua condição de peso atômico?

E nos detendo a analisar os átomos, utilizando-nos de uma ciência transcendental, vamos nos deter ainda verificando a molécula de H2O e deduziremos de que as propriedades, do átomo, não tem como fonte a matéria sólida, pois a água existe em outros mundos mais evoluídos, tanto quanto nas colônias espirituais como Nosso Lar, Alvorada Nova, e outras, as partículas de matéria que compõem os átomos de H2O nesses habitats, são de matéria em outra dimensão, e Kardec já compreendia essa realidade, vejamos.

Antecipando-se a ciência Kardec já no ano de 1857, nos informou a existência de matéria em outra dimensão, em o “Livro dos Espíritos”, questão 22, vejamos.
“Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria, para vós, porém, não o seria”.

Entretanto a ciência já corrobora esta realidade, pois admite de que o átomo pode ser desmontado ao infinito, dimensionando alguns corpúsculos atômicos, como por exemplo, o próton, pois nos informam de que o mesmo tem o peso especifico, de 1,66 x 10-24 em gramas, e 5x10-15 em centímetro de diâmetro, e também já foram dimensionados o elétron, o nêutron, e o neutrino.

Como informado, hoje os cientistas já compreendem que existe matéria em outra dimensão, entretanto, longe se demora ainda a ciência de compreender a manifestação desta no contexto da vida do universo, mas nós espiritas, compreendemos de que existe uma física transcendental, que define a aplicação dessas partículas, revestindo mundos e seres em outra dimensão vibracional.

Em o livro “Nosso Lar”, no capitulo O Bosque das Aguas, Lísias esclarece André Luiz quanto à importância da agua na colônia, informando-o ainda de que a mesma era uma das raras tarefas materiais realizadas pelo Ministério da União Divina. Não estarei a transcrever este capitulo, pois é longo, mas recomendo aos que lerem este texto, e desejarem maiores esclarecimentos que o leiam, pois é infinitamente instrutivo.

E pelo que pudemos apreciar nas palavras de Lísias a água é tida como matéria na colônia de Nosso Lar, pois o mesmo é muito explicito quando afirma a André, que a manutenção da água é uma das raras tarefas materiais.

E sabemos de que os átomos que compõem a agua em Nosso Lar, não possuem o mesmo peso atômico que os átomos que formam a agua na Terra, entretanto as propriedades destes se preservam, embora entendamos de que quanto mais evoluído for o mundo, ou colônia, mais volátil, mais sutil, será a agua desse habitat do universo. (Ver o texto; As Infinitas Propriedades do Átomo)

Então verificamos de que todo e qualquer corpo de matéria, tem em sua constituição, um psiquismo inteligente, mas não podemos nos esquecer de que esses psiquismos se demoram vivendo um momento maturativo diferenciado, e, portanto diferentes são os seus momentos vibracionais, o espirito de um humano, em seu momento evolutivo (maturação) não encontra mais condições para atuar no psiquismo que anima um corpo de matéria sólida, e tampouco tem condições de se comunicar através de um animal, embora possamos chamar de espirito o principio inteligente que anima a vida animal. O espirito se comunica através do espirito, o psiquismo através do psiquismo.

E não podemos nos esquecer de que a mediunidade não é apenas um meio de comunicação entre encarnados e desencarnados, pois esta é uma faculdade que permite aconteça à comunicação entre todos os elementos do universo, através da lei de sintonia, não nos esqueçamos de que André Luiz em os livros “Obreiros da Vida Eterna”, e “Libertação” nos apresenta espíritos que se manifestam através da incorporação, e também da faculdade de efeitos físicos, de espíritos já desencarnados.

A mediunidade preexistirá para sempre na vida do universo, pois a evolução vai ao infinito, e em vários livros de André Luiz, temos esta constatação, espíritos que não podem se comunicar diretamente com espíritos menos evoluídos, o fazem através da incorporação, ou da materialização. (Ver o livro Libertação de André Luiz)

E mais, embora eu entenda de que a telecomunicação é um meio precioso de que se utilizam os espíritos para comprovarem a imortalidade, esta jamais obterá uma comunicação cientifica filosófica, e moral, dos espíritos como a apresentada através de um bom médium como o foi Francisco Candido Xavier.
Através da psicografia de Chico, espíritos diversos nos apresentaram poemas maravilhosos no livro “Parnaso de Além Tumulo”, em o livro “Mecanismo da Mediunidade” André Luiz nos informa sobre o principio de geração energética, apresentando-nos o gerador em analogia ao cérebro, em o livro “Missionários da Luz” nos apresenta um tratado de anatomia, e de fisiologia, falando-nos dos órgãos e suas funções, e não é só, Emmanuel escreveu uma mensagem em inglês e do avesso, para lê-la, é preciso coloca-la na frente de um espelho, esta façanha foge a possibilidade da experiência da transcomunicação.

E acreditar que as comunicações obtidas através de trascomunicações estejam isentas de misticismo, seria uma postura inocente, pois mesmo que fosse realidade que o espirito comunica - se direto através da matéria, para que as entidades manifestantes sejam idôneas, responsáveis, elevadas espiritualmente, o experimentador tem que o ser, pois semelhança atrai semelhante, esta é uma questão de sintonia.

Isto deixa claro de que não adianta alternar os métodos, é necessário a nossa reforma intima, nos espiritualizando, nos moralizando, pois como retro informado mesmo que a experiência da transcomunicação tivesse como fonte a matéria inerte, não seria um meio de obter á verdade, desde que o proposito de quem a busque não seja verdadeiro.

E não tenhamos duvida, a transcomunicação, desempenha uma função importantíssima, pois estará corroborando os fenômenos das mesas girantes, através de métodos científicos, cooperando com a comprovação da existência da alma, não tenhamos duvidas quanto a está realidade.

Mas não tenho a pretensão da verdade absoluta, esta pertence a Deus, então fico no aguardo, pois nossos amigos da transcomunicação pretendem nos informar, qual é o mecanismo de que se utiliza o espirito para envolver a matéria inerte, utilizando-a para expressar sua inteligência, e se o fizerem de forma lógica e racional, temos que modificar nosso conceito, e o faremos.

                                                                                                             Sola