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domingo, 14 de maio de 2017

"É"...Único Algumas ideias que Einstein fazia sobre Deus ( Jorge Hessen )

"É"...Único


Jorge Hessen

No século XIX Kardec indagou dos Espíritos, "Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?". "Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá". Responderam os Espíritos (1) 

A nossa compreensão de Deus muda na mesma proporção em que a nossa percepção sobre a vida se amplia. É uma tarefa difícil, quando o limitado tenta alcançar o Ilimitado, ou o finito entender o Infinito. Assim somos nós diante de Deus. As opiniões científicas ainda estão divididas quanto à origem do universo, mas há unanimidade num ponto, existe ordem no universo. 

E "Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber".(2) Assinalamos aqui uma pequena digressão: é interessante notar que geralmente, nós imaginamos Deus como alguma coisa absolutamente externa. Pensamos em Deus como um ser ou algo separado de nós, advindo muitos conflitos. 

Ora! Se o Todo-Poderoso também está dentro de nós, podemos mudar por nossa própria vontade. Mas se acreditamos que o Pai celestial está exclusivamente do lado externo, então supomos que só Ele pode nos mudar e não nos transformamos pela nossa própria vontade. Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhumas das nossas ações lhe podem subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Albert Einstein, físico alemão de origem judaica que dispensa apresentações "quando, em 1921, perguntado pelo rabino H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus, respondeu: "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens"(3) . 

Nesta mesma ocasião, muitos líderes religiosos diziam que a teoria da relatividade "encobre com um manto o horrível fantasma do ateísmo, e obscurece especulações, produzindo uma dúvida universal sobre Deus e sua criação".(4) Tese que discordamos integralmente , pois Einstein confessou a um assistente que no fundo, seu único interesse era descobrir se no instante da criação Deus teve escolha de fazer um universo diferente e, caso tenha tido opção, por que é que decidiu criar esse universo singular que conhecemos e não outro qualquer? Dizia ainda, "Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber em nossos espíritos frágeis e incertos. 

Essa convicção, profundamente emocional na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível universo, é a ideias que faço de Deus".(5) 

Outros cientistas expunham que da megaestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da mente de Deus. O físico americano Paul Davies no seu livro intitulado Deus e a Nova Física afirma categoricamente que o universo foi desenhado por uma consciência cósmica.(6) O Universo, portanto, constituídos por esses milhões de sóis, regido por leis universais, imutáveis, completas, às quais acham-se sujeitas todas as criaturas, é a exteriorização do Pensamento Divino. Portanto, o Criador “É” Único.....

Referência bibliográficas:

1 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio [de Janeiro]: FEB, 1994, Questão 4
2 Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed Feb, 2001, Cap. II - A Providência, item 34.
3 Citado em Golgher, I. O Universo Físico e humano e Albert Einstein, B.H: Oficina de Livros, 1991, p. 304.
4 Citado em Idem, ibidem, pp 304-305.
5 Einstein Albert. Extraído do livro "As mais belas orações de todos os tempos".
6 Davies, Paul. Deus e a Nova Física, Lisboa: Edições 70, 1986, p. 157.

terça-feira, 9 de maio de 2017

TRANSFORMANDO NÓ EM LAÇO

Luiz Carlos Formiga

A mãe evangelizadora permite o salto de qualidade para o pleno desenvolvimento da inteligência espiritual. Cultura e santificação representam forças inseparáveis da glória espiritual. A sabedoria e o amor são duas asas.


Assim como o uso de água e sabão podem fazer a diferença nos leitos hospitalares, onde micróbios resistentes a antibióticos costumam se alojar, a mãe portadora da vacina do amor pode realizar verdadeiros prodígios.



Graças te dou, mãe querida, por me abrigar no teu seio,
Por teu colo, teu carinho, as noites de aconchego.
E peço a Deus que te cubra com as bênçãos da Redenção.
Que te pegue pela mão e te faça caminhar
Por estradas luminosas, onde nunca exista treva.
E onde eu possa te encontrar
Num dia talvez distante,
Te abraçar e confiante, tudo recomeçar...


segunda-feira, 8 de maio de 2017

MEDIUNIDADE OU SURTO PSICÓTICO? EMEI. PEQUENA INCENTIVAÇÃO


Luiz Carlos Formiga

Participante do Primeiro EMEI, eu Luiz Carlos Formiga, tento explicar como surge a “vontade de escrever”.
Mediunidade ou surto psicótico?
A motivação surge quando meus olhos se molham, pelo tema, pelo problema, pela minha impotência, pela incompetência. Creio que isso é um problema psiquiátrico, pois escrevo para não me sentir omisso.
Já não penso em população alvo, se terei leitor e, se tiver, se ele vai me ajudar na divulgação. Todos estão sempre muito absorvidos pelos seus momentos pessoais.
Confesso que gostaria que me ajudassem, mas para isso acontecer acho que teria que ter uma “sacada genial”, capaz de lhes tocar as fibras mais íntimas e tornar úmidos seus olhos.
Acho que nem o aborto é tema capaz de realizar esse milagre.
Já escrevi sobre suicídio, drogas, AIDS, sexualidade e foi pequena a aceitação.
Não me lamento, pois aquele problema psiquiátrico, aquela sensação de omissão, desaparece e fica longe por muitos dias.
 Kardec diz que apenas 8,3% dos artigos de desencarnados, recebidos para publicação, poderiam ser divulgados e, destes, somente 5,5 apresentavam mérito. Dos artigos escritos por “encarnados” 20% apresentavam real valor.
Será que algum dos meus artigos estaria entre esses 20%?
Os blogs que os publicam estão comendo moscas?
 Numa rara oportunidade pensei  ouvir a voz de Marcondes, um espírito que fora leproso e viveu na Colônia do Curupaiti.
Veja abaixo.
Mediunidade ou surto psicótico?
Antes, permitam-me uma divagação, que é uma primeira informação.
Estive com o Dr. Reynaldo Leite, médium e Juiz de Direito num programa de TV, no Rio de Janeiro.
 Dr. Reynaldo “morreu” em 11 de maio de 2004. Deixou três filhos e dois netos. Dedicava-se à Doutrina Espírita trabalhando por sua divulgação em Programas de Rádio, TV e fazendo palestras, por todo o Brasil. Psicografou livros tendo sido um deles vertido para o Inglês.
Em São Paulo, SP, durante 37 anos foi um dos trabalhadores do Núcleo Assistencial Espírita Paz e Amor em Jesus e um dos seus fundadores.
Viajou aos Estados Unidos (Miami e New York) , Suécia (Estolcomo e Västeräs), Noruega (Oslo), França (Paris e Choisy de la Roy), Portugal (Lisboa e Sintra), Espanha (Madrid), Inglaterra (Londres), Peru (Lima e Arequipa), Japão (Tókio e Gumma-ken), Canadá (Montreal), figurando como orador no Congresso Mundial de Espiritismo sediado em Portugal (Lisboa). No ano 2000 esteve em Cuba.
Participou durante seis anos do programa “Evoluir”, na Rádio Boa Nova. AM 1450; na Rádio Mundial, programa “Arautos e Você”; no canal Comunitário de São Paulo, programa “Espiritismo com Reynaldo Leite”.
Produziu 92 cds e 200 palestras em vídeo.
Com Marcondinho estive no "leprosário".  Amigo de fé e irmão camarada.
Ele aprendeu a amar a Religião dos Espíritos, no Centro Espírita Filhos de Deus, a “Casa do Caminho”, em Jacarepaguá. Se sua mãe soubesse que a Hanseníase o deixaria cego, com braços e pernas atrofiados, numa cadeira de rodas, talvez fizesse a opção pelo aborto. Mesmo assim, trabalhava na desobsessão.
Outra divagação-informação.
Minha mulher passou por um aborto espontâneo. O que nos deixou marcados na alma. Tivemos que fazer opção diante de um surto de rubéola. Dois partos anteriores nos deram filhas normais. Mas, com o vírus da rubéola o papo é outro!
Decidimos confiar na Providência Divina e deixamos a gravidez prosseguir seu curso natural.
Ao mesmo tempo, com auxílio de uma colega da UFRJ, no Instituto de Microbiologia, realizamos exames laboratoriais com o soro da Sonia-gestante.
Chegamos à conclusão que era competente sob o ponto de vista Imunológico, mas havia a possibilidade do vírus romper a barreira de defesa. Diante da explicação, minha mulher seguiu confiante, mas o neném desistiu.
Retornemos ao estúdio de Televisão.
Quando o representante da TV me telefonou pedi para ligar no dia seguinte.
Procurei saída honrosa dizendo que necessitava estudar a agenda e as aulas marcadas na universidade.
Levantei-me cedo, decidido a dizer não. Afinal, poderiam usar o Plano B.
A pauta não me agradava. Sentia-me de saia justa e sapatos apertados.
Estava só, quando a voz falou-me dentro do cérebro: “Está com medo do tema complicado?”
Parecia a voz do Marcondinho.
Seus lábios retorcidos pela doença ofereciam um som característico, mesmo depois de morto?
Quem não tem medo de falar em público?
Imagine na TV!
“Estou fora!”
Mentalmente respondi que não me sentia confortável para falar de um tema como aquele.
A voz me desafiou a ir gravar o programa e ainda a abrir um espaço para dizer que “Hanseníase Tinha Cura.”
Senti-me paciente psiquiátrico, não sou médium ostensivo. Mas, depois do surto psicótico, como dizer não?
As luzes não estavam acesas, mas tudo já estava preparado.
Marcondinho foi descrito como espírito deformado pelo Dr. Reynaldo, médium-Juiz.  Mas, não foi no Centro Espírita, enfatizo que tudo se passou num estúdio de gravação de um programa de TV.
Sentados à mesa, o entrevistador, profissional de TV experimentado, Reynaldo Leite e eu.
A pauta era o aborto.
Creio que ali estava pela minha luta no Núcleo Espírita Universitário, em favor da vida intrauterina.
Antes do início do programa, Reynaldo relatou sua vidência.
Fiquei pasmo!
Disse-me:
Formiga, um espírito, que se diz seu amigo, me pediu para lhe dar um recado. Disse também que vai identificá-lo facilmente.
Ele surgiu ali na entrada, mas veio rolando pelo chão, apresentando-se com pernas e braços muito atrofiados. Postou-se a seu lado e disse que “estaria junto”.
Em seguida, exibindo radical transformação, pediu-me para lhe descrever na forma, como se encontra no mundo espiritual.
 Aí surgiu um belo espírito de luz.
Formiga, você o conhece?
Sim, eu o conhecia e aprendera a admirá-lo.
Abençoado surto psicótico, fiquei tranquilo, feliz e ainda fiz o meu comercial.

Hanseníase tem Cura!




sábado, 6 de maio de 2017

ESPERA QUE VOLTE A PRIMAVERA NA FORÇA DA ORAÇÃO

Luiz Carlos Formiga


Em 1948, a cidade do Rio de Janeiro recebia a visita de moços congressistas e seus acompanhantes de outros Estados. (1) Dias felizes. Como era o Rio nessa época?
Faça retrospectiva com Alcione Nonato Buzar e Chico Anísio em Rio Antigo “Como Nos Velhos Tempos”. (2)
Era aquele bate-papo na esquina, com crianças na calçada, brincando sem perigo, sem metrô e sem frescão.
Naquela época se pegava o bonde 12 de Ipanema, para ver o Oscarito e o Grande Otelo, domingo, no cinema.
Havia o pregão do garrafeiro, Zizinho no gramado, o samba sincopado, o bonde, taioba, bagageiro, e o desafinado que o Jobim “sacou”.
Era época de Leopoldo Machado, casado com Marília Barbosa, companheira do seu ideal em todos os sentidos. Não tiveram filhos e decidiram fundar o “Lar de Jesus”, recebendo, desde a inauguração, trinta e duas crianças carentes desde os primeiros dias. Simultaneamente, fundaram o Centro Espírita “Fé, Esperança e Caridade”.
Ao atingirem à maior idade, as 32 “filhas” tornaram-se patrimônio da sociedade, tanto como exemplares donas-de-casa quanto eficientes funcionárias, mediante concurso.
Chico Anísio e Nonato dizem que todos ouviam a novela pelo rádio, iam a Lapa fazer lanche no Capela ou saborear um bife lá no Lamas. Como Deus a havia criado, a cidade não tinha aterro.
Foi num domingo ensolarado, no elegante Teatro João Caetano, completamente lotado, que teve início o Primeiro Congresso de Mocidades Espíritas no Brasil. Seu idealizador foi o Professor Leopoldo Machado.
As Sessões de estudos e debates doutrinários integrando jovens e adultos ocuparam, durante uma semana, o auditório e as dependências da Sociedade de Medicina e Espiritismo, na Avenida Rio Branco 4, 15° andar.
É bom recordar o Rio antigo quando havia baile com Valdir Calmon, ouvia-se o Trio de Ouro, com a Estrela Dalva do Brasil e se encontrava Sergio Porto com seu bom humor.
Participaram do Primeiro Congresso mais de quinhentas pessoas, entre jovens congressistas e seus acompanhantes.
Por sugestão do Professor Leopoldo Machado os participantes dos Estados foram carinhosamente hospedados nas residências dos seus confrades, como convinha a uma convivência fraternal.
O Rio era aquele onde havia programa de calouros com Ari Barroso e o Lamartine ensinava o Lá-lá-la gostoso.
Chico e Nonato nos fazem lembrar da Cinelândia estreando “E o Vento Levou”, recordam um velho samba do Ataufo, do carnaval com serpentina, da Copa Roca, de Brasil e Argentina, dos Anjos do Inferno e dos Quatro Ases e um Coringa.
A presença e a contribuição de Leopoldo ao Movimento Espírita no Brasil integram o patrimônio eterno da Doutrina dos Espíritos em nosso país, chegando a transpor fronteiras.
Ao ensejo do cinquentenário do Primeiro Congresso de Mocidades Espíritas no Brasil várias solenidades foram realizadas, tanto no Rio de Janeiro, quanto nos outros Estados.
 “São as palavras que orientam as mãos e os olhos. O primeiro ato de domínio exige que o dominado esqueça o seu nome, perca a memória do seu passado, não mais se lembre de sua dignidade, e aceite os nomes que o senhor impõe. A perda da memória é um evento escravizador. É por isto mesmo que a mais antiga tradição filosófica do mundo ocidental afirma que o nosso destino depende de nossa capacidade e vontade de recuperar memórias perdidas.” (Rubem Alves)
Leopoldo é o autor de “Uma Grande Vida”. Um Estudo Biográfico de Cairbar Schutel, Casa Editora O Clarim, SP.
Chico Anísio e Nonato cantaram “O Rio Antigo”. Disseram que naqueles dias “as valsas eram do Orestes e acontecia o som de fossa de Dolores”.
Pelas mãos de Brunilde M. do Espirito Santo, psicografia, Dolores, retorna com uma “Cantiga de paz”. Para seu deleite. (3)
Se quiseres sentir a paz dentro de ti, escuta meu irmão.
Faze silêncio, espera que volte a primavera na força da oração.
Transforma o teu soluço em riso de esperança no amanhã que vem.
Depois da tempestade surge sempre a bonança agora ou mais além.
Em tua longa estrada, só tu tens o poder de transformar espinhos em flores perfumadas, que ao sol da confiança enfeitem os teus caminhos.
Olhando ao teu redor verás que almas tristes te pedirão amor.
Tua tristeza esquece, sorri, ampara e aquece, seja o irmão quem for.
Sofrendo chuva e vento o trigo doura o campo, sem falar de sua dor e, assim que a nuvem passa, a terra generosa desabotoa em flor.
Imita a natureza que se desfaz em luz até o entardecer e, quando a noite chega, o céu acende estrelas, até o amanhecer.

1. Cinquenta anos depois.
2. Alcione.
3. Cantiga de paz

terça-feira, 2 de maio de 2017

“Mediúnica” aberta ou fechada? (Jorge Hessen)



Jorge Hessen

Um leitor levanta um tema conveniente para elucidarmos. Descreve que frequenta várias casas com reuniões mediúnicas “abertas” (públicas). Acredita ser o modo correto. Embora com o passar dos anos tenha conhecido outras casas com as reuniões mediúnicas “fechadas” (privativas).

Em face dele ler muito e observar, analisar, colher opiniões, sobretudo as que escrevemos para o Movimento Espírita Brasileiro, resolveu fazer a seguinte afirmativa: a quantidade de pessoas que passam a frequentar as casas espíritas após assistirem a comunicações do além “abertas” ao público é mais expressiva.

Obviamente, sob o imperium da racionalidade espírita, não podemos concordar com a afirmativa desse nosso leitor, embora reconheçamos que ocorrem montões de convites às pessoas recém-chegadas ao centro para assistir e/ou frequentar as reuniões mediúnicas, o que representa uma extraordinária leviandade. Aliás, isso seria transformar o grupo mediúnico numa estranha sala de espetáculos de picadeiro espiritual.

As sessões mediúnicas devem merecer dos dirigentes espíritas uma maior atenção. Não se compreende, pois, que uma sessão mediúnica, seja ela aberta a pessoas com pouca formação teórica do Espiritismo ou a curiosos e/ou a neófitos, contrariando as orientações dos Benfeitores. Allan Kardec abordou o tema quando respondeu aos leitores que lhe propunham abrisse ao público as sessões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, medida com a qual não concordava em absoluto. [1]

Kardec sugere além disso grupos pequenos, em face das potências mentais heterogêneas que há nos “grupões”. Uma reunião mediúnica “aberta ao público” é uma imponderação dispensável, porque tem acesso pessoas carregadas de anseios diversificados, que irão embaraçar, invariavelmente, o exercício espontâneo da mediunidade.

Os Instrutores do além afiançam que uma reunião mediúnica é um grave trabalho, que se desenvolve na estrutura perispirítica, e se a equipe é inábil, é compreensível que muitos embaraços psíquicos sucedam por negligência da mesma. Em face disso, o intercâmbio com o além não deve ser aberto ao público porque, conforme proferimos acima, transformaria-se numa arena circense com feição especulativa, exibicionista, destituída de intuito elevado, costumes tais que ferem mortalmente os postulados reveladores da Doutrina Espírita.

Mesmo nas reuniões mediúnicas privativas deve-se manter um número ideal de membros, não excedente a 20 pessoas, para que se evitem essas perturbações naturais nos grupamentos massivos. É óbvio que quaisquer argumentos utilizados para defender as reuniões mediúnicas "fechadas ao público" não isentam os grupos "fechados" das influências, pensamentos, desequilíbrios e desarmonias. Contudo, isso é dificuldade moral do grupo e não da especificidade privativa da mesma.

Não podemos e nem devemos esquecer que o Espírito de Verdade nos recomenda: "Espiritas, amai-vos uns aos outros, eis o primeiro ensinamento, instrui-vos eis o segundo". [2] Este alerta nos conscientiza do tamanho da responsabilidade que nos pesa sobre os ombros. Grupos mediúnicos sérios fazem reuniões periódicas de avaliação das atividades e assim todos os integrantes da equipe possam se afinizar e conversar, eliminando algum conflito doutrinário que possa haver entre si.

Ademais, para que não se abra espaço para a teatralização de “psicofonias” (quase sempre anímicas – “tipo Bezerra/Divaldo”) e “psicografias” em público, lembremos que não há médiuns especiais e ninguém é melhor que ninguém, devendo todos estarem abertos ao aprendizado permanente e seu devido aperfeiçoamento. Dizem que Divaldo recebe Bezerra em público e Chico psicografava em público. Sim, é verdade, mas será que temos novos Chicos e Divaldos? Exceto os imitadores!

Ah!, para concluir nossos esclarecimentos, recomendamos que se algum confrade quiser frequentar uma reunião mediúnica para ouvir e instruir-se (ao vivo) as supostas “mensagens do além”, que trate de estudar as Obras codificadas por Allan Kardec.

Referências bibliográficas:

[1] KARDEC. Allan. Revista Espírita, maio 1861, pág. 140, Brasília: Ed Edicel, 2002.


[2] KARDEC. Allan O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5, RJ: Ed. FEB, 2002

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Destino e a opção pelo caminho certo (Jorge Hessen)


Jorge Hessen


"Christiana, me prometa uma coisa. Aconteça o que acontecer na sua vida, nunca pare de caminhar", disse certa vez sua mãe, naqueles tempos miseráveis em que ela se chamava Christiana Mara Coelho. Sua primeira casa foi uma caverna no Parque Estadual do Biribiri, reserva natural próxima à cidade mineira de Diamantina. A segunda, uma favela de São Paulo. Mas quando ela tinha oito anos de idade foi levada para a Suécia pelos pais adotivos e passou a se chamar Christina Rickardsson.

A história das duas vidas de Christina se tornou um best-seller na cena literária da Suécia, com título dedicado às palavras da mãe. Sluta Aldrig Gå (Nunca Pare de Caminhar), livro de estreia da autora brasileira que já não fala o português. Junto com o livro, Christina Rickardsson também realizou outro sonho: criar uma fundação de assistência a crianças carentes no Brasil, a Coelho Growth Foundation. A fundação já desenvolve projetos de assistência a crianças em uma creche e dois orfanatos de São Paulo - incluindo aquele onde Christina viveu. A autora conta que também iniciou um projeto de colaboração com as favelas de Heliópolis, em São Paulo, e do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. [1]

Certa vez um amigo enunciou a seguinte citação: “o que é o destino, senão um gigante que achincalha nanicos seres como nós.”. Avaliando a história de Rickardsson podemos falar de “destino”, “carma” e “livre arbítrio”, não necessariamente nessa sequência.

A existência do destino supõe que nada acontece por acaso, mas que tudo tem uma causa predeterminada, isto é, os acontecimentos não surgem do nada, mas sim dessa força desconhecida. A corrente filosófica do determinismo defende que todos os pensamentos e todas as ações humanas se encontram causalmente determinados por uma cadeia de causa e consequência. Para o determinismo radical, não existe nenhum acontecimento que seja por acaso ou coincidência, ao passo que o determinismo flexível sustenta que existe uma correlação entre o presente e o futuro, submetida à influência de eventos aleatórios.

A expressão “carma” não é citada por Kardec, ou pelos espíritos comunicantes das obras básicas. Todavia, como sinônimo de ação e reação, a cada nova existência o homem experimentará novos desafios, inexoravelmente, até atingir a perfeição.

Para muitas religiões, o destino é um plano criado por Deus que não pode ser alterado pelos seres humanos. O Espiritismo, por sua vez, não advoga que exista uma predestinação absoluta e defende que Deus dotou o homem do livre arbítrio (o poder para tomar as suas próprias decisões). Nossa ponderação é no sentido de amoldarmos o conceito destino, retirando-lhe os conteúdos deterministas, para uma visão larga e transcendental, mais apropriada com os aspectos educativos e retificadores da reencarnação.

Na questão 132 de O Livro dos Espíritos, o Codificador interroga sobre qual seria o objetivo da encarnação. Os Espíritos explicam que “A lei de Deus impõe a encarnação com o objetivo de fazer-nos chegar à perfeição...”. Ainda com relação ao destino, utilizado como sinônimo de “fatalidade”, Kardec pergunta aos espíritos, no item nº 851: “Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme o sentido que se dá a essa palavra, ou seja, todos os acontecimentos são predeterminados? Nesse caso, como fica o livre-arbítrio?” Os Benfeitores aclaram o tema elucidando – A fatalidade existe apenas na escolha que o Espírito faz ao encarnar e suportar esta ou aquela prova. E da escolha resulta uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição que ele próprio escolheu e em que se acha. Falo das provas de natureza física porque, quanto às de natureza moral e às tentações, o Espírito, ao conservar seu livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor para ceder ou resistir ...”. [2]

Christina Rickardsson, após ser adotada, escolheu seu rumo de vida. A liberdade de escolher nosso próprio destino, todos os dias, torna-se o diferencial entre o gênero humano e os animais inferiores, que ainda não podem discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado, o moral e o imoral. Evoluir é o nosso destino, como evoluir, pelo conhecimento ou através da dor, é sempre uma questão de escolha.

O que não podemos mudar são os fatos principais da nossa reencarnação, os quais traçamos juntamente com nossos “padrinhos” espirituais, no momento da escolha da vida que merecemos e precisamos ter. “A cada um será dado segundo suas obras”. No mundo espiritual, no intervalo das reencarnações, escolhemos, consciente ou inconscientemente, o gênero de provas, de acordo com nossas necessidades e possibilidades adquiridas pela conduta.

Entretanto, ao reencarnarmos, não ficamos escravos desse modo de vida, uma vez que as particularidades correm por nossa conta. A todo instante, podemos escolher a atitude a tomar, como disseram as Entidades Sublimadas: “Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das consequências que estes tiveram. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal”. [3] Rickardsson optou pelo caminho sensato, pois que percebeu que como ela existem irmãos necessitados do amparo para orientar a tomada de melhores decisões, que estão sim ao nosso alcance, e que uma vez que enxerguemos esse propósito, naturalmente estaremos cumprindo o real sentido da vida, e fazendo o bom uso de nossa oportunidade do livre arbítrio.



Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39203681 acesso 23/o4/2017
[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2002, per. 132 e 851 

[3] idem questão 258

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vinte e Um (21) Questionamentos sobre Roustaing e/ou Ubaldi


Leonardo Marmo Moreira

1) Qual Espírito evoluído, em obra mediúnica de elevada qualidade (chancelada por aprovação através dos parâmetros kardequianos de avaliação do conteúdo da mensagem de origem espiritual), relata que estava reencarnando ou já tinha reencarnado como “criptógamo carnudo” (ou algo que o valha, tal como uma minhoca ou uma lesma etc.), como Roustaing afirma, ou que teria voltado a ser um átomo, como Ubaldi sugere?!

2) Qual Espírito evoluído, em obra mediúnica de elevada qualidade (chancelada por aprovação nos parâmetros kardequianos de avaliação do conteúdo da mensagem de origem espiritual), afirma, contundentemente, não ter encarnado nenhuma vez, tendo feito todo o seu processo de evolução no plano espiritual (conforme a obra de Roustaing frisa categoricamente)?

3) Por que Emmanuel e Chico Xavier escreveram cinco (5) livros em parceria com Herculano Pires, um dos mais notáveis, aguerridos e reconhecidos adversários da mistificação roustainguista?! E, que, ademais, criticou duramente as propostas feitas por Ubaldi, sugerindo que o movimento espírita aderisse aos livros ubaldistas?!

4) Por que Emmanuel e Chico Xavier não escreveram com vários roustainguistas famosos como Luciano dos Anjos, entre diversos outros, ao invés de escrever com um denunciador dos delírios roustainguistas, como é o caso de Herculano Pires? Por que Emmanuel e Chico Xavier não escreveram, inclusive, com Pietro Ubaldi?

5) Por que Emmanuel considerou Herculano Pires “a maior inteligência espírita contemporânea”, se Herculano não só não aceitava como combatia contínua e contundentemente a obra de Roustaing, que seria, segundo o advogado de Bordeaux, a “Revelação da Revelação”?

6) Por que o livro “Evolução em Dois Mundos”, de autoria espiritual de André Luiz através das mediunidades de Chico Xavier e Waldo Vieira, e que foi prefaciado por Emmanuel (considerado pela famosa pesquisa da Editora Candeia, em 1999, o nono melhor livro espírita do século XX) nada fala sobre “evolução exclusivamente no mundo espiritual (daí, a razão do título “Evolução em Dois Mundos”) e nem de “metempsicose na forma de “criptógamo carnudo” (assim como Roustaing propõe!) ou de um retorno para o átomo (como Pietro Ubaldi escreve!)?!

7) Por que Bezerra de Menezes-Espírito (portanto, depois de desencarnado!) jamais divulgou a obra de Roustaing, e nem a de Ubaldi, seja por Chico Xavier, seja por Divaldo Franco e até mesmo por Yvonne Pereira?

8) Por que Chico Xavier afirma categoricamente que, no encontro com Pietro Ubaldi, o qual os ubaldistas adoram lembrar, o mentor espiritual falava várias e reiteradas vezes para Ubaldi voltar para a Itália e ficar na Itália e não vir definitivamente para o Brasil?! Ubaldi desobedeceu o mentor espiritual ou não tinha mediunidade para receber e/ou entender a mensagem espiritual? E se Ubaldi não tinha mediunidade ou condições de entender, por que não pediu conselhos e informações a Chico Xavier?! Não tinha humildade suficiente para isso?!

9) Como é que roustainguistas conseguem ser ubaldistas e vice-versa, se Jesus para Roustaing era uma figura praticamente mitológica, uma espécie de “semideus fluídico”, filho de Deus e de uma virgem (vide a obra do roustainguista Guillon Ribeiro assim como o conceito divulgado por vários roustainguistas de “Jesus, nem Deus, nem homem”) e para Ubaldi ele era um Espírito decaído, em corpo de carne, em processo expiatório no “Anti-Sistema”, tentando reabilitação para voltar ao “Sistema” (espécie de “Reino dos Céus Ubaldista", do qual Jesus tinha sido banido e só no último suspiro de vida física na cruz, tinha readquirido o direito para retornar ao “Sistema”), conforme assevera o italiano em sua obra “O Cristo”?

10) Se a “Falange do Espírito de Verdade” e o próprio Allan Kardec no capítulo “Moral Estranha”, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, entre diversas outras passagens da Codificação, enfatizam que há textos que não foram traduzidos adequadamente e outros claramente deturpados ou até adulterados na Bíblia, porque os Espíritos de Roustaing assim como os roustainguistas em geral, pretendem explicar todos ou praticamente todos os versículos?

11)  Por que João Evangelista ensinaria conceitos completamente discordantes para a obra de Kardec e para a obra de Roustaing? Ou um dos Espíritos tidos como “João Evangelista”, para Kardec, e para Roustaing, não era, de fato, o mesmo Espírito, isto é, o famoso filho de Zebedeu e Salomé? Nesse caso, qual seria o verdadeiro: o Espírito que assina o “Prolegômenos” de “O Livro dos Espíritos” de Kardec, ou aquele de “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing?

12) Se o Espiritismo veio à Terra, entre outros motivos, para esclarecer muitos erros doutrinários que o Cristianismo, e, em especial, o catolicismo, havia “assimilado”, por que Roustaing e Ubaldi recomendam a prática da eucaristia, que é um desses erros, para espíritas e para todos os demais cristãos?!

13) Roustaing, antes, durante e depois de publicar sua obra, jamais participou efetivamente do movimento espírita. Por acaso, Roustaing achou  que a só a mera publicação de seu livro, vendido como “Revelação da Revelação”, era suficiente? A atitude comodista e preguiçosa dele ou a atitude de trabalho incessante de Kardec é aquela que denota assistência dos bons Espíritos e verdadeiro comprometimento missionário?

14) Ubaldi, antes, durante e depois (nos poucos meses que restavam de vida física) de escrever/publicar sua vasta obra, jamais buscou integrar-se no movimento espírita (nem mesmo assumiu-se como espírita!), mesmo depois de oferecê-la como uma espécie de “tábua de salvação” ao Espiritismo! Afinal, Ubaldi só queria vender livros ou queria, de fato, ajudar diariamente no trabalho espírita, tal como Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Gabriel Delanne, Léon Denis e o próprio Allan Kardec sempre fizeram?! Qual atitude parece ser a de um verdadeiro missionário do bem e, mais especificamente, do idealista espírita?

15) Pietro Ubaldi afirma ser a reencarnação do Apóstolo Pedro (isso mesmo, ele afirma ser São Pedro! Era ou não era muito “humilde” esse Pietro Ubaldi?!). Divaldo Pereira Franco nega contundentemente essa ideia em um capítulo de sua biografia de autoria de Ana Landi, recentemente publicada. Qual dos dois deve estar errado: Ubaldi ou Divaldo?! Em qual dos dois você confia mais doutrinariamente?!

16) Além de ficar com os direitos autorais de sua obra, Ubaldi fez questão de receber um apartamento em bairro nobre de São Vicente-SP, o qual foi proporcionado por adeptos do Espiritismo. O trabalho de Ubaldi, por acaso, lembra o desapego de seu “ídolo” Francisco de Assis ou mesmo de Chico Xavier?! O trabalho espiritual totalmente gratuito não deveria ser respeitado por aquele que, dizendo-se “franciscano”, queria “tirar o Espiritismo da estagnação”?!

17) Por que Ubaldi praticamente não tinha livro algum em sua casa, a não ser os livros de sua própria autoria, ou seja, livros dele, Pietro Ubaldi? Um suposto atualizador da Doutrina Espírita não teria que estudar profundamente Allan Kardec e diversas obras subsidiárias espíritas de qualidade?! O quanto será que Kardec lia?! E, ademais, Ubaldi não deveria procurar atualizar seus estudos científicos e ler páginas evangélicas, tais como aquelas de Emmanuel, para manter sua “vigilância” e reflexão evangélica sempre em constante renovação?! Vale frisar que Divaldo Franco afirma ler a Codificação todos os dias, o que acontece com vários trabalhadores espíritas! Será que aquele que se lançou como “atualizador” do Espiritismo não teria que fazer isso e muito mais?!

18) Por que Gabriel Delanne, Léon Denis e Camille Flammarion, os maiores continuadores de Allan Kardec, verdadeiros “Apóstolos do Espiritismo”, à semelhança de Allan Kardec, rejeitaram a obra de Roustaing?! Kardec, Delanne, Denis e Flammarion estavam, todos eles, completamente equivocados sobre Roustaing?! Os quatro estariam fascinados e só Roustaing iluminado?!

19) Por que Divaldo Pereira Franco e José Raul Teixeira jamais citavam Roustaing e Ubaldi em suas palestras?! A obra de Roustaing e Ubaldi teria algum valor real para os espíritas se os mais notáveis expositores das últimas décadas no movimento espírita as ignoraram solenemente?!

20) Se muitos roustainguistas consideram a obra de Ubaldi o desenvolvimento do trabalho de Roustaing, por que a Federação Espírita Brasileira (FEB) publicou somente “A Grande Síntese”, primeiro livro de Ubaldi? Será que a editora da referida instituição percebeu algum limitação na obra? Ou foi um problema de “doação”, ou não, de direitos autorais? Ou teria sido outro tipo de desentendimento?

‘           21) E, finalmente, se Erasto, um dos Espíritos mais importantes da Codificação Kardequiana afirmou em “O Livro dos Médiuns” que “...é preferível rejeitar 10 verdades do que aceitar uma única mentira, uma única teoria falsa” por que será que alguns supostos “espíritas”, também supostamente portadores de ideais elevados, insistem em divulgar obras que estão claramente em oposição aos princípios espíritas?!

Reflitamos com sinceridade doutrinária...


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