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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A PRECE ALTERA OS DESÍGNIOS DE DEUS ? (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Brasília/DF

Recorda Kardec que a prece é recomendada por todos os Espíritos. Renunciar a ela é ignorar a bondade de Deus; é rejeitar para si mesmo a sua assistência; e para os outros, o bem que se poderia fazer. [1] O Cristo instruiu: “por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão.” [2]

A prece se reveste de características especiais, pois a par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curativa e a influência da oração. O Codificador, ao emitir seus comentários na questão 662 de O Livro dos Espíritos, afirma que “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A rigor, a eletricidade é energia dinâmica; o magnetismo é energia estática; o pensamento é força eletromagnética.” [3]

A imprensa tem noticiado que médicos e instituições hospitalares do mundo contemporâneo já incluem nas suas rotinas, de maneira sistemática e definitiva, a prática de estimular os pacientes quanto a fortalecer a esperança, o otimismo, o bom humor e a espiritualidade (religiosidade), os pensamentos como recursos imprescindíveis no combate às doenças. Esses procedimentos funcionam como remédios para a alma, obviamente, com repercussões benéficas para o corpo físico. Isso tem sido observado, sobretudo, em centros de tratamento de doenças graves, como câncer e patologias que exigem do enfermo uma força sobre-humana.

Em 2012, o The Huffington Post informou que Andrew Newberg, diretor de pesquisa no Hospital de Thomas Jefferson e Medical College, na Pensilvânia, realizou um estudo em que scanners de cérebro de ressonância magnética confirmou as formas em que a oração e meditação afetam o cérebro humano. Sua pesquisa mostrou que quando uma pessoa é dedicada à oração, há um aumento da atividade nos lobos frontais e a área da linguagem do cérebro, conhecida para se tornar ativo durante a conversa. [4] Segundo Newberg a cura física pode ocorrer como resultado do poder da oração. 

O estudo foi realizado participantes contendo corante radioativo inofensivo injetado enquanto eles estavam em profunda oração ou meditação. Corante emigrou para diferentes partes do cérebro em que o fluxo de sangue era o mais forte. Newberg chegou à conclusão de que, independentemente da religião, a oração cria uma experiência neurológica entre pessoas. [5] Eis aqui uma questão interessante para o tema ou seja a prece coletiva.

Será que a oração coletiva é mais poderosa? Sim! Se todos os que a fazem se associam de coração num mesmo pensamento e têm a mesma finalidade, porque então é como se muitos clamassem juntos e em uníssono. “Mas que importaria estarem reunidos em grande número, se cada qual agisse isoladamente e por sua própria conta? Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, ligadas por uma aspiração comum, orarão como verdadeiros irmãos em Deus, e sua prece terá mais força do que a daquelas cem.” [6]

O pensamento é dínamo condutor da vida física para a vida espiritual, pois nos permite estabelecer um relacionamento positivo com os espíritos que participam das atividades curadoras. Por outro lado, o pensamento também estabelece ligação a espíritos cuja presença pode ser prejudicial à nossa cura. Toda moeda tem dois lados e as leis da natureza são estradas de mão dupla. A mente é fonte de energia curativa ou de energia destruidora.

A prece sincera é, sem dúvida, um dos meios pelos quais a cura de um mal pode ser alcançada. Destarte, cremos que o assunto sobre a oração deveria ser tema de constante reflexão nos centros espíritas. Através dos estudos sérios são afastadas as considerações fantasiosas, puramente místicas, que impedem alcançar a sua essência e importância.

É comum surgirem aqueles que contestam a eficácia da prece, alegando que, pelo fato de Deus conhecer as necessidades humanas, torna-se dispensável o ato de orar, pois sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador. Sim, mas é através de um processo de modificação comportamental que o doente ganha forças para neutralizar a doença. 

O Espiritismo busca convencer o enfermo a reorientar seu comportamento mental pela fé raciocinada, sugerindo a oração que se potencializa na ética das atitudes de caridade, da qual deve resultar um modo particular de motivação para uma vida saudável e engrandecida muito acima dos dissabores e seduções do mundo material. 

Oremos, pois e sempre!

Referências bibliográficas:

[1] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1990, cap 27

[2] Mc, XI: 24)

[3] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994, questão 662

[4] Disponível, em http://healthylivingathome.club/2016/06/30/ciencia-revela-que-a-oracao-tem-efeitos-curativos-contra-doencas/

Acessado em 25/08/2016

[5] Disponível, em http://healthylivingathome.club/2016/06/30/ciencia-revela-que-a-oracao-tem-efeitos-curativos-contra-doencas/

Acessado em 25/08/2016

[6] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1990, cap 27



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

INCESTO E SEXUALIDADE DIANTE DOS MITOS E A REALIDADE (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
Brasília/DF

Conta a mitologia grega que Jocasta foi filha de Menocenes e mulher de Laio, rei de Tebas, com quem teve um filho, Édipo. Pela previsão do oráculo, Édipo quando crescesse seria um perigo para a vida de Laio. Abandonado, Édipo foi deixado pelo pai numa floresta para morrer. Sendo salvo por um pastor, acaba por cumprir o que lhe estava destinado. Já adulto, numa viagem, mata Laio, o seu pai, e desposa Jocasta, a sua mãe, sem, no entanto, saber de quem se tratam. Quando da consulta do oráculo, por ocasião de uma peste, Jocasta e Édipo descobrem que são mãe e filho. Ela suicida-se e ele fura os próprios olhos por ter estado cego e não ter reconhecido a própria mãe. Édipo e Jocasta tiveram 4 filhos, Antígona, Ismênia, Etéocles e Polinice.

Ao ensejo, reproduzo aqui uma real e delirante história anunciada pelo jornal inglês Daily Mail e que vem provocando controvérsia na mídia internacional por tocar no assunto muito penoso: o incesto [1]. No caso específico, uma autêntica história de “amor” proibido entre Monica Mares, uma mãe de 36 anos e Caleb Paterson, seu filho que ela ofereceu para adoção quando bebê e só tornou a ver recentemente, após 18 anos. 

Monica Mares e Caleb Paterson, podem pegar pena de 18 meses de prisão se forem condenados por prática de incesto em julgamento no Novo México (Estados Unidos). Ambos afirmaram que brigarão pelo direito de manter o relacionamento e que “arriscarão tudo” por esse objetivo. Monica afiançou ao jornal que Caleb é o amor da sua vida e não quer perdê-lo. Proferiu que nada pode separá-los e que se for presa, cumprirá a pena e, ao sair da prisão, vai mudar-se para um estado que aceite a união. [2]

Monica reviu o filho, após a doação, quando ele tinha 18 anos, foi no dia de Natal de 2014, logo após trocarem mensagens pelo Facebook. Depressa, eles se apaixonaram e tiveram contatos íntimos. Os dois passaram a viver juntos e hoje um dos filhos pequenos de Monica chama Caleb de pai. Recentemente a polícia foi chamada quando uma pessoa, após uma briga de vizinhos, decidiu denunciá-los. 

Eles foram acusados de incesto, soltos após pagamento de fiança e aguardam julgamento. Segundo os advogados do “casal”, o resultado do caso, se for favorável pode abrir um precedente legal nos Estados Unidos. O casal afirmou que, se preciso, pretende recorrer à Suprema Corte americana para ficar juntos. [3]Em alguns países, mormente os islâmicos, a pena de morte é prescrita para os casos de incesto.

A aberração da prática sexual, quando somente visa a satisfação egoística , imediata e desvairada, cede lugar a patologias graves como a pedofilia, o incesto, o masoquismo, o sadismo, a necrofilia, a prostituição, a pederastia e a outras anomalias psicológicas e psiquiátricas que rebaixam o ser humano. 

A obscuridade da consciência medieval e as torturas íntimas camufladas de muitos teólogos mediévicos apontaram que a sexualidade se tratava de uma função “impura”, “suja” e “repreensível”, como se Deus houvesse escolhido um meio funesto para a reprodução da vida na Terra. Atualmente muitos seres humanos sofrem diversos tipos de aflições morais, amiúde derivadas da má condução da sexualidade e dos antigos temores que deram lugar a mitos ,ignorância e fobias. Em face disso, merece que seja examinada a nobreza da prática sexual , porquanto ela a matriz da continuidade da vida biológica. 

Historicamente o incesto e a endogamia não se restringiram às tradicionais monarquias europeias. Exemplos são encontrados no Egito antigo, onde havia casamentos entre irmãos. No Pamir era normal o faraó casar-se com suas irmãs para manter o poder entre eles. Cleópatra casou-se com dois irmãos consanguíneos. Em Roma, ocorriam enlaces entre primos, caso de Nero e Claudia Octavia. O imperador Calígula era amante das suas 3 irmãs. Há indícios de que os incas na América do Sul também casavam irmãos e irmãs

Naturalmente perante as leis humanas e de civilidade é preciso manter a observância às normas e regras, que nos diferem dos seres irracionais. Ora, do ponto de vista biológico, a sexualidade é uma sublime seiva para manter a vida em padrões de estabilização e de encanto, proporcionando, quando o seu uso é ético e equilibrado, contentamento e completude nos relacionamentos. 

Doutrinariamente discorrendo sobre o assunto recordemos que há espíritos que ainda não conseguiram superar as viciações sexuais do passado que entorpecem a consciência. Há os casos obsessivos gravíssimos. Citamos aqui o caso do personagem Cláudio narrado por André Luiz no livro Sexo e Destino. [4] Cláudio concretizou uma relação incestuosa com a própria filha Marita, recebendo influência direta dos obsessores. 

Observemos que pela lei da pluralidade das existências muitos pais e filhos, irmãs e irmãos, primos e primas, os tios e tias, etc., etc., etc., podem ter sido “amantes” nas vidas passadas. Alguns não superaram essa experiência e, sendo assim, não conseguem ainda modificar a posição psíquica e emocional que ocupam na atual existência. Por vezes culminam por praticarem o vil incesto que representa invariavelmente um arrepiador estacionamento moral do espírito reencarnado. 

Conta Emmanuel que no fundo da personalidade paterna ou do maternal coração, “descansam os remanescentes de grandes afeições, às vezes desequilibradas e menos felizes, trazidos de outras estâncias, nos domínios da reencarnação. A libido ou o instinto sexual na forma de energia psíquica, tendente à conservação da vida, permanece. 

Os pequeninos, porém, recém-vindos da amnésia natural que a reencarnação lhes impõe, não conseguem esconder as próprias disposições no campo das preferências. E surgem neles, de inopino quase sempre, as inclinações descontroladas, nos caprichos com que se mostram, exigindo especial atenção de pai ou mãe a revelarem, de modo claro para que rumo se lhes dirigem os laços mais fortes. 

Geralmente, com muitas exceções, aliás, as filhas se voltam para os pais e os filhos para as mães, patenteando a natureza das ligações havidas em existências passadas e prenunciando a obra de desvinculação [ante a lei da natureza] que se executará, inevitável, no futuro próximo. [5]

Deus não extermina as paixões dos homens, mas fá-las evoluir, convertendo-as pela dor em sagrados patrimônios da alma, competindo às criaturas dominar o coração, guiar os impulsos, orientar as tendências, na evolução sublime dos seus sentimentos. 

Recorramos às reflexões do nobre Espírito Emmanuel - "diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, coloquemo-nos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as nossas tendências mais íntimas e, após verificarmos se estamos em condições de censurar alguém, escutemos no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". [6]

Notas e referências bibliográficas:

[1] Comunhão sexual entre pessoas consanguíneas ou afins nos graus interditos pela ética cristã

[2] Incesto é considerado crime em cinquenta estados americanos, mas a pena varia de lugar a lugar.

[3] Disponível em http://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/m%C3%A3e-e-filho-enfrentam-a-justi%C3%A7a-com-hist%C3%B3ria-de-amor-proibido-que-provoca-pol%C3%AAmica-na-web/ar-BBvs3fR?li=AAggNbi&ocid=mailsignoutmd acessado em 20/08/2016

[4] Xavier, Francisco Cândido. Sexo e Destino, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 1999

[5] Xavier, Francisco Cândido. Vida e sexo, Cap. 15, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000

[6] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001

ATLETAS: DEFICIÊNCIAS, PROVAS E SUPERAÇÕES

Luiz Carlos Formiga


No Brasil o “Direito ao esquecimento”, é tratado como o direito à privacidade, intimidade e honra assegurada pela Constituição Federal de 1988 em seu art. 5º inciso X e pelo código civil de 2002, por meio de seu art. 21.
Poucos o conhecem, sendo novo nos tribunais. O direito fundamental de ser esquecido vai além da possibilidade de esquecer o que se passou e desemboca na proteção da dignidade humana. Ele visa não permitir que a privacidade da pessoa seja invadida. Isto porque fatos ocorridos no passado podem ser expostos na mídia social, contrariando a vontade daquele que gostaria de vê-lo esquecido, por toda a sociedade.
Hoje vou me socorrer com o “direito ao não esquecimento” daqueles fatos que podem ser úteis em estudos e ainda como “modelos de superação”.
Entre nós, não podemos esquecer o ano de 1960, pois foi no dia 18 de novembro deste ano, que Éder Jofre venceu Eloy Sanchez por nocaute no sexto "round", no Olympic Auditorium, em Los Angeles, e sagrou-se Campeão Mundial de Boxe pela Associação Mundial de Boxe - AMB.
Éder em 26 de março de  2016 completou 80 anos e providências foram tomadas para que não seja esquecido. Desde 2013, o dia 26 de março é considerado o Dia Nacional do Boxe, em lei criada pelo então deputado federal Acelino “Popó” Freitas,
Lembremos as Paralimpíadas. O Comitê Brasileiro informa que a primeira ocorreu em Roma, em 1960. Mas, a história nos remete ainda ao ano de 1888, quando surgiram os clubes esportivos para pessoas surdas em Berlim, na Alemanha. Em 1922, foi fundada a Organização Mundial de Esportes para Surdos (CISS) e se organizou os “Jogos Silenciosos”. Hoje, os atletas surdos praticam junto de pessoas sem deficiência e não possuem modalidades no programa paralímpico.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, 1945, muitos combatentes ficaram paraplégicos ou tetraplégicos. O neurocirurgião alemão Ludwig Guttmann  iniciou um trabalho de reabilitação médica e social de veteranos de guerra, por meio de práticas esportivas. O inicio foi no Centro Nacional de Lesionados Medulares de Stoke Mandeville.
A primeira competição para atletas com deficiência aconteceu no dia 29 de julho de 1948. Quatro anos depois, em 1952, atletas holandeses também passaram a competir nas disputas de Stoke Mandeville. Assim, surgiu o movimento internacional, hoje chamado de Movimento Paralímpico.
Recentemente no artigo “Medalha de Ouro” o médium Francisco Cândido Xavier foi lembrado para a medalha da solidariedade, pelo trabalho, realizado com mães da “dor sem nome”. Seus filhos morreram nas batalhas da guerra civil, nas capitais brasileiras.
 Cremos que também não podemos esquecer os poetas da música popular brasileira, que com sensibilidade oferecem letras inteligentes, elevando-se acima de si mesmos na procura da fraternidade. Lembro o autor de “Onde Deus possa me ouvir”.
Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
Sair chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo ou um ombro Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca   As pessoas andam tristes Meus amigos são amigos de ninguém.
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior Pra entender porque se agridem Se empurram pro abismo  Se debatem, se combatem sem saber
Meu amor... Deixa eu chorar até cansar  Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir  Minha dor...   Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber  Me deixe aqui pode sair. Adeus.
O poeta não encontra explicação racional para as vicissitudes humanas. Mas, mesmo em aparente depressão, reconhece a existência de uma Inteligência Suprema, embora não saiba onde encontrá-la. Outro poeta, J Gonçalves, sofreu da mesma dor.
Por outro lado, a arte de Vander Lee, sua música, cala fundo na alma e  impulsiona campos vibracionais nobres e elevados, fazendo a identificação com seu público no teatro, o que pode ser observado através do vídeo, link acima.
A arte propicia essa integração do espírito consigo, com o outro, com a Inteligência Suprema e com o universo.
Não foi o que aconteceu numa fase da vida de outro poeta, ateu.
J. Gonçalves experimentou o fenômeno psicossocial chamado lepra. Diante da dor física, quase que insuportável, rejeitou convites para orar, feito por sua mulher. Na sua poesia há revolta e dcepção. Era o ano de 1940, ele revoltado com sua cruel sorte na vida, não queria chorar até cansar, nem ir a um lugar onde Deus lhe pudesse ouvir. Em “Voltei”, parece alimentar ideias suicidas: 
“Onde andará um “não sei quê”, um bem, em cuja busca sou judeu errante?
Por onde eu passo, já passou também... e quando chego já partiu há instante...
Não sei se está na vida, ou mais adiante, dentro da morte, nas mansões do além...
Se está no amor... se está na fé, perante os dois altares que esta vida tem.
Mas, se esta vida é um sonho, a morte o nada; o amor um pesadelo;
a fé receio; por que manter-se em luta desvairada?...
No entanto, eu sigo... acovardado, triste...
A procurar em tudo em que não creio, a coisa que me falta e não existe! “
O que lhe faltava? Deus. A cura?
Após a era dos antibióticos e quimioterápicos, Hanseníase tem cura.
J. Gonçalves era hanseniano, mas sentia a segregação imposta pelo fenômeno psicossocial Lepra.
No leprosário, sua mulher tornara-se espírita.
 “O Espiritismo, longe de temer as descobertas da Ciência e o seu positivismo, lhe vai ao encontro e os provoca, por possuir a certeza de que o princípio espiritual, que tem existência própria, em nada pode com elas sofrer.” ( Kardec, A. 1868. A Gênese. Cap. X.Gênese Orgânica. Pág. 203, ítem 30, FEB)
Alguns anos depois, 1943, Jésus Gonçalves se tornou também adepto da Doutrina Espírita. Esta data é a do lançamento do livro “Nosso Lar”, de autoria de André Luiz e psicografia de  Chico Xavier.
Jésus, agora, “sob nova direção”, reescreve a poesia “Voltei”.
“Hosana! Eu já encontrei o grande Bem, em cuja busca fui judeu-errante."
É o facho luminoso que contém a luz que me ilumina a todo instante!
E ele está na vida e mais adiante, dentro da morte, nas mansões do além...
Está no amor... Está na fé... Perante os dois altares que esta vida tem!
Pois, nem a vida é sonho e a morte o nada. O amor é luz; a Fé o santo meio de tornar esta luta compensada!
Por isso eu sigo... nos caminhos meus, a procurar em tudo quanto creio, a coisa que faltava e ... que era Deus!”
 J. Gonçalves demonstra possuir nova visão, encontra um sentido para a vida, mesmo num leprosário e assim sua poesia sofre transformação. Oferece nova contribuição, mobiliza as energias do bem, que são capazes de fazer desabrochar a estética, e ainda modificar a escala de valores éticos. Torna-se liderança espírita neste local e amigo de Chico Xavier, por cartas.
Monteiro, E.C. A Extraordinária Vida de Jésus Gonçalves. P. 78. Terceira edição, nov. 1983. Editora Espírita Correio Fraterno do ABC. S. B. Do Campo, SP; Xavier, F. C. & Gonçalves, J. Flores de Outono. Terceira edição, 1984. LAKE, pág. 63 e 71).
Para que a pessoa viva na plena consciência da existência se faz necessário encontrar um sentido para a vida. O vazio existencial é encontrado no suicídio, no consumo de drogas.
Com o desenvolvimento da inteligência espiritual se descobre que um poder superior é capaz de devolver nossa sanidade e até uma felicidade relativa, como aconteceu com a “leprosa”, espírita, Leda Amaral. 
Leda é forte concorrente de Éder Jofre na disputa da medalha de ouro da candura. Ambos são espíritas.
Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matéria; admite tudo o que o segundo admite; mas, avança para além do ponto onde este último estaciona. ( Kardec, A. 1868. A Gênese. Cap. X.Gênese Orgânica. Pág. 203, ítem 30. FEB).
Perdoem-me por mutilar uma importante reportagem, sobre o nosso campeão. O resumo imperfeito pode ser compensado clicando no link da Veja. Abril.
Na residência particular de Eder Jofre, medalha de ouro da candura, um quarto tão simples quanto bem arrumado,  na casa da filha,  Campo Limpo,  São Paulo, uma folha de papel A4 colada na porta do armário de madeira compensada avisa com letras femininas e carinho:
“Eu, Eder Jofre, moro com a minha filha Andrea, o marido, Oliveira, e os filhos Lanika, Axel, Babi e Sidney. Moro aqui há nove meses. Quem cuida das minhas coisas são os meus filhos Marcel e Andrea. Estou morando aqui desde que minha esposa, Maria Aparecida Jofre (Cidinha), faleceu, em 10 de maio de 2013, foram 52 anos de casamento.
O campeão mundial em duas categorias (galo e pena), reverenciado por especialistas em boxe de todo o mundo aos 78 anos, foi à lona pela primeira vez com a morte repentina da mulher. “Ela era a cabeça e meu pai, o corpo”, resume Andrea Jofre. Funcionaram perfeitamente nessa combinação durante os 52 anos de casamento.
Deprimido, ele foi internado na Santa Casa de São Paulo. Era incapaz de realizar mesmo as sinapses cerebrais básicas.
A tragédia é que o próprio Eder Jofre, aprisionado no porão de um cérebro que decai, não compreende mais as alturas que galgou.
Impressionado com o estado de saúde do ex-pugilista, em rápida deterioração, o médico da Confederação Brasileira de Boxe, Bernardino Santi, indicou ao filho de Eder, Marcel, o nome do neurologista Renato Anghinah, do Hospital das Clínicas de São Paulo, com quem divide um projeto inédito de estudo dos efeitos dos golpes de boxe na saúde dos profissionais. Anghinah, de reputação internacional, é um estudioso da encefalopatia traumática crônica — mal deflagrado depois de concussões repetidas na cabeça e associado ao boxe desde a década de 20. Ele integra o grupo liderado pelo neurologista Ricardo Nitrini, que investiga, no banco de encéfalos da Universidade de São Paulo, o cérebro do zagueiro Bellini, capitão de 1958. Bellini  pode ter sido vítima das cabeçadas na bola e dos choques com os atacantes adversários nas jogadas aéreas.
Os resultados de exames confirmam: os golpes recebidos durante a carreira são responsáveis pelo estado atual de Eder. Não se trata de Alzheimer. “Com todos os elementos estudados, o quadro é compatível com a encefalopatia crônica”.
Ela afeta também atletas de outras modalidades, como o futebol americano e o hóquei no gelo —, a encefalopatia atinge cerca de 20% dos boxeadores.
Apesar dos extraordinários recursos tecnológicos de análise do cérebro por imagem, um diagnóstico mais detalhado da encefalopatia traumática crônica só pode ser dado depois de exames anatomopatológicos, feitos a partir da dissecção do cérebro.
Somente a dissecção permitirá um entendimento 100% certeiro do que há com Eder. Anghinah prescreveu amantadina, cuja função é estimular os receptores de dopamina no cérebro. A alteração já garantiu uma melhora, mas Éder é ainda um espelho quase sem distorções do que a medicina descreve como resultados comportamentais da encefalopatia traumática crônica.
Angelina Zumbano, mãe de Eder, casou-se com o argentino Kid Jofre, pai, treinador e confidente do campeão, com quem ele — que segue a religião espírita — dizia conversar mesmo depois de morto.
É generosa a atitude dos filhos em permitir que o cérebro do pai seja esmiuçado. Exige coragem e desprendimento também saber que do diagnóstico dos médicos poderia vir, como veio, uma inequívoca condenação do boxe pelos riscos que oferece à saúde do cérebro de seus praticantes. Essa realidade tão óbvia sempre foi mascarada no mundo das lutas.
Marcel Jofre se comprometeu a doar o cérebro do pai, quando a hora chegar. Eder pode fornecer o argumento decisivo para a proposta que vem ganhando força, a de que os boxea­dores profissionais passem a lutar com protetor de cabeça, que era obrigatório nas disputas olímpicas, mas também foi abandonado.
A elegância de garça da esgrima está nos leves toques, e não em ver contendores estraçalhados por golpes de espada, florete e sabre. A beleza do boxe não pode residir em produzir danos permanentes à saúde.
O boxe com proteção pode ter a mistura de inocência e força que Nelson Rodrigues viu no fenomenal pugilista brasileiro: “Eder tem, mesmo no ringue, a candura de menino,  que ainda não disse o primeiro palavrão”.
Recebemos uma mensagem do espírito Leda Amaral (*), medalha de ouro do Braille, através da psicografia de José Salomão Mizrahy. Ele nos informou que fora “leprosa”.
Cega e com os dedos insensíveis, foi obrigada a aprender o Braille utilizando a ponta da língua.
A primeira grande máquina impressora da SPLEB tem hoje seu nome, Leda.
Era jovem, bonita, de pais espíritas, quando a doença a assaltou. Rosto, mãos e pés ficaram deformados. A audição tornou-se reduzida. Olhos sem luz, aos 17 anos. Mesmo assim, passou a fazer apelos telefônicos para alívio do sofrimento dos que a ela recorriam. Arranjava alimentos, internações, socorro assistencial, cadeiras de rodas, muletas, empregos, bolsas de estudos, tudo em benefício dos outros.
Ledinha é Medalha de Ouro da Superação, na Paralimpíada Espiritual.


(*) “O Bem de Hansen”, espírito – Leda Amaral (26/10/1985 - 13/02/1922).

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

BULLYING UMA PESTE PSICOSSOCIAL Jorge Hessen

Jorge Hessen
Brasília-DF

O Colégio Holy Angels Catholic Academy, em Nova York, Estados Unidos não tomou nenhuma providência contra o bullying [1] que Daniel Fitzpatrick, um aluno de 13 anos, estava sofrendo. Resultado! Daniel acabou se suicidando. Deixou uma carta de despedida e dentre outros bramidos de dor moral escreveu: "Eu desisto"! Disse ainda que os seus colegas da escola o atormentavam há muito tempo e a direção do colégio não fazia nada a respeito, mesmo após ele e os seus pais terem feito uma reclamação formal. A resposta do Holy Angels teria sido "Calma tudo vai ficar bem. É só uma fase, vai passar".[2]

O pai de Daniel Fitzpatrick resolveu não esconder a tragédia pessoal do seu filho, inclusive a carta de suicídio e a sua foto, justamente para que casos assim não voltem a acontecer. Disse o pai que nenhuma criança deveria passar pelo que o seu filho passou. A mãe de Daniel revelou que as crianças o xingavam de diversos nomes dentro da sala de aula e também atiravam coisas contra ele. Ao longo do tempo, isso foi o deixando cada vez mais triste e frustrado. 

Antes que alguém questione o motivo dos pais não terem transferido Daniel do colégio, fica óbvio que culpá-los pela situação é tão cruel quanto o bullying sofrido por Daniel. O que precisa mudar é a maneira e seriedade com que encaramos este assunto. Deve-se ensinar desde cedo, seja dentro de casa ou da sala de aula, que oprimir e ofender as pessoas é errado. Quando vemos alguém fazendo isso, seja uma criança ou adulto, é o nosso dever intervir. [3]

Infelizmente, casos assim podem acontecer em qualquer lugar do mundo, porém, ainda são pouco divulgados. Outro caso recente foi o da jovem Britney Mazzoncini, de 16 anos, de Glasgow, na Escócia que decidiu tirar a própria vida após sofrer bullying de perfis falsos no Facebook. Mazzoncini, tinha depressão, que foi piorada pelos traumas que os agressores deixaram. Antes de se suicidar, ela deixou mensagens na rede social reclamando das ofensas. "As palavras podem sim machucar as pessoas, e elas precisam perceber isso antes que seja tarde demais". A avó, Agnes Mackenzie, disse ao jornal The Sun ter certeza de que o bullying na internet foi um dos principais fatores para a Britney ter se suicidado. Agnes explicou ainda que a família não tinha conhecimento de que a garota sofria bullying, contou. [4] 

Como esquecermos a chacina de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, em que meninos e meninas ficaram irmanados num trágico destino. Suas vidas foram prematuramente ceifadas num episódio de insonhável bestialidade. Jornais, redes de TV, revistas, rádios e Internet noticiaram o crime horroroso ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira. É um episódio para cujas causas não há como permanecermos estáticos na busca de entendimento.

O assassino Wellington Menezes de Oliveira, embora com a mente arruinada e razão obliterada, fez sua opção de atirar contra jovens estudantes. Na fita gravada, Wellington alegou ter sofrido bullying, anos antes, na mesma escola; porém, poderia ter superado o trauma de antanho. Ainda que admitamos sua provável subjugação por mentes perversas do além, a responsabilidade da decisão recai integralmente sobre ele.

O bullying, que tem sido discutido com pujantes cores por especialistas das áreas do direito, da psicologia, da medicina, da sociologia, da pedagogia e outras. A prática de bullying começou a ser pesquisada há cerca de alguns anos na Europa, quando descobriram que essa forma de violência estava por trás de muitas tentativas de homicídio e suicídio de adolescentes.

O fenômeno é uma epidemia psicossocial e pode ter consequências graves. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo, pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa. Crianças e adolescentes que sofrem humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem ter queda do rendimento escolar, somatizar o sofrimento em doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Tem sido responsável pelos altos índices de evasão e repetência escolar uma vez que o aluno não vê a escola como local de aprendizado, mas como um ambiente hostil.

Não há dúvida que atualmente há muitos espíritos em estágios bem primários reencarnados na Terra. Por isso os pais devem ter cuidado redobrado com a disciplina dos próprios filhos, reforçando na intimidade doméstica os exemplos de moralidade. Pais, avós e professores formam os grupos encarregados da educação. Não se pode permitir que esses espíritos espiritualmente infantilizados reencarnados sejam entregues simplesmente às mãos de funcionários despreparados, ou sob a estranha tutela da televisão, das redes sociais da Internet e de violentos jogos eletrônicos.

Urge estabelecer limites aos nossos filhos. Desde os primeiros anos, devemos ensiná-los a fugir do abismo da liberdade, controlando lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois que essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. 

É óbvio que há pais que enfrentam o dilema da educação dos filhos rebeldes e “incorrigíveis”, impermeáveis a todos os processos educativos. Nesses casos (filhos incorrigíveis) os pais, amando e orientando sem desânimos e descontinuidades da dedicação e do sacrifício, devem esperar a manifestação da Providência Divina para o entalhe moral dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa modelagem moral deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão, do sentimento e do respeito ao próximo.

Mãos à obra, oremos e banquemos a nossa parte!!

Referências:

[1] O termo bullying é derivado do verbo inglês bully, que significa usar a superioridade física para intimidar alguém. Também adota aspecto de adjetivo, referindo-se a “valentão” e "pit bull". As vítimas são os indivíduos considerados mais fracos e frágeis dessa relação, transformados em objeto de diversão e prazer por meio de “chacotas” maldosas e intimidadoras. É considerada uma questão de saúde pública e de segurança social.


[3] idem


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

MEDALHA DE OURO


Luiz Carlos Formiga

Medalhas despertam a atenção, como a mediunidade generosa. Permitam-me um depoimento. Eu vi Chico Xavier psicografar, em Uberaba. Embora tenha sido no século passado, não me sai da retina.
Chico recebia mensagens para as mães que tinham perdido seus filhos drasticamente, como Zilda.
Os filhos se comunicaram, de forma inusitada, após o trágico acidente que lhes roubou o corpo.
Allan Kardec desenvolve o assunto em “O Livro dos Espíritos”.
Minha Mãe não teve a mesma “sorte” da Dona Zilda.
Minha irmã, mais velha do que eu, desencarnou na juventude. Eu era um menino travesso. Talvez por ser espírita, o plano espiritual não viu necessidade de minha mãe receber “carta” e, só posteriormente, nos enviou boas notícias.
 Mas, o dano foi severo, mesmo tendo outro filho.
A dor da saudade começou a ser parcialmente anestesiada com a chegada das primeiras netas. Minha mulher, professora, trabalhava fora e a avó “se virava nos trinta”. O trabalho dela quadriplicou, a anestesia também, quando nasceram André Luiz e Aline, divinas criaturas trabalhosas.
Aprendi num CD, tese premiada, que “criança não trabalha, criança dá trabalho.”
A partir do depoimento de mães enlutadas, uma tese de doutorado permite concluir que um filho não substitui o que se foi. Mas tendo quatro é melhor.
Minha mãe disse que deixou de pensar em suicídio, porque eu era muito pequeno e não me queria órfão. Como Anália ela sabia que “a lágrima mais sentida é a do órfão desvalido”
Hoje quero agradecer, “de novo”, por minha mãe ter passado pela “dor sem nome” e ter recebido medalha Olímpica, modalidade “missão materna-resistência”. Hoje sou avô e sei também que as “divinas criaturas”nos ajudam muito, principalmente na terceira idade..
Em Uberaba, procurei saber qual era o critério utilizado pela equipe do mentor espiritual de Chico, para escolher a mãezinha que receberia a mensagem do espírito filho.
Naquele dia, eram uns 60 corações partidos. No entanto, apenas duas “sortudas” receberam dos filhos a mensagem e comprovaram com elas a imortalidade da alma dos afetos.
Se o estudo da condição psicológica dessas mulheres diante da dor extenuante pode dar uma boa tese de doutorado, imagine estudar o efeito da mensagem, vinda do além!
O tema é perigoso na universidade.  O filme “As mães de Chico Xavier” ficou diante de um terrível silêncio de boicote da mídia amestrada nacional, “politicamente correta.” Isso apesar de Carl Marx ter demonstrado que foi mau aluno de psicologia, pregando o ateísmo como massificação cultural.
As mães precisam fugir do materialismo e das ideias suicidas, com a velocidade de Usain Bolt.
O médium Chico Xavier subiu ao pódio olímpico para receber a medalha de ouro, na modalidade “solidariedade”. Nesse assunto, os materialistas possuem parcas condições de apontar a “porta de saída do inferno”, ou, pelo menos, colaborar para uma “melhor qualidade de vida” das mães que sofrem. Um “leproso religioso” pode ser mais eficiente.
O suicídio é cruel para o que tira a própria vida, diante de um surto de demência e para parentes e amigos, que sofrem com a sensação de impotência e incompetência.
 “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro. Mais vale controlar o seu espírito, do que conquistar uma cidade” (Pv 16:32)
Você pode, como na natação, conquistar mais de 20 medalhas de ouro, demonstrando determinação, renúncia, esforço, disciplina, superação, e mesmo assim não ficar imune ao suicídio. Como explicar isso?
Michael Phelps é bom exemplo de superação.
Paulo, em 1 Co 9:27., diz que somos os nossos maiores adversários.
Entrevistar mães que receberam “cartas” poderá dar um belo trabalho de pós-doutorado em Psicologia.
Certamente nos trará “novidades”, até para Dona Zilda.
Será extremamente útil, sob o ponto de vista da saúde pública e para estimular novas pesquisas na universidade, que ainda não provou que a morte do corpo mata a vida.
Trabalhos como esses são importantes, principalmente quando a “pesquisa laboratorial” aponta na direção da imortalidade da alma “dos filhos”.
Nestes dias de Olimpíadas no Rio de Janeiro, que Jesus possa novamente se aproximar do nosso pequeno planeta, mesmo que seja em brevíssima visita de luz, amor e compaixão, como fez anteriormente..
Organizações espirituais criminosas indutoras do suicídio geral e do materno, em particular, precisam ser desfeitas. Oremos por isso.
Um indriso tem poder de concisão e peço desculpas por ter sido tão prolixo. Por também ter insistido com o antipático depoimento pessoal, embora sabendo que “experiência vivida não pode ser transmitida”.

"Mãe-Poema-Mãe"

Página Poema-Mãe...

Saudade incomensurável...

Que só ao amor pode igualar!

Mãe-Poema, Familia-Lar...

Um sentir que nos consome...

No entanto, nem tem nome!

Palavra, sem tradução. Saudade...

Nas entrelinhas... Esperança e Imortalidade!

O MEDALHISTA DE “OURO” DA INVEJA (Jorge Hessen)


Vanderlei Cordeiro de Lima rumo à pira olímpica 


Jorge Hessen
Brasília-DF

Em face do histórico colapso econômico e político brasileiro, creio que esta não tenha sido a melhor ocasião para a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil. Reconheço que a festa da abertura foi espetaculosa, talvez uma das mais “coloridas”. Mas quero meditar um pouco sobre o fantasma da inveja de um olímpico (parece que não tem nada a ver) porém, vejamos abaixo. 

Há 12 anos a saga do maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, que liderava , à época, a maratona da Olimpíada da Atenas em 2004, quando a 6 quilômetros da chegada, Cornelius Horan, um ex-padre irlandês, ultrapassou as faixas de segurança e agarrou-o conduzindo o atleta para a lateral da pista. Atordoado, Vanderlei conseguiu se recuperar e terminar a corrida, mas por causa dessa interrupção, em vez do plausível “ouro” naquele dia no pódio recebeu a medalha de bronze. Logicamente o imprevisto episódio ganhou destaque em todos os meios de comunicação da Terra.

Doze anos transcorridos e Vanderlei mais uma vez protagonizou um momento apoteótico quando foi o encarregado de acender a pira da primeira olimpíada realizada no Rio de Janeiro. Foi um sentimento de júbilo que o país reconheceu, demonstrando que a escolha desse protagonismo de Vanderlei não foi injusta. No entanto, avesso a esse momento apoteótico, Stefano Baldini, o vencedor da maratona da Olimpíada da Atenas em 2004, afirmou que aquela homenagem não devolveria a Cordeiro de Lima a suposta glória (medalha de ouro) roubada. Para Stefano o brasileiro não iria ganhar a maratona de 2004, porque ele (Stefano) e Mebrahtom Keflezighi iriam alcançá-lo e Lima teria ficado com o “bronze” da mesma forma. 

Não é de hoje que Baldini tem afirmado que Vanderlei deve se contentar com o bronze. Sob o abalo da inveja Baldini tem dito que Cordeiro de Lima deveria agradecer à fatalidade de ter encontrado no seu caminho Cornelius Horan [o ex-padre lunático irlandês] , porque caso contrário, afirma Baldini – “ninguém se lembraria dele (Cordeiro de Lima)”. Entretanto, há exatos dois anos o maratonista brasileiro respondeu elegantemente a Stefano como notaremos adiante. 

No dia 08 de agosto, em matéria sobre o episódio supramencionado, o jornal El País tratou a reação do ex-atleta italiano [Stefano Baldini] como… inveja. Pura e simplesmente inveja. “A história poderia ser contada não como uma parábola do espírito olímpico, (…) mas como uma alegoria da inveja”, escreveu o jornal espanhol. No dia 28 de agosto de 2014, Vanderlei Cordeiro de Lima comentou sobre quem teria ganho a prova de Atenas se o incidente não tivesse acontecido: Disse o brasileiro que “o impacto físico e psicológico do que ocorreu foi muito grande. Em situação normal, eu poderia não ganhar o ouro, mas a disputa iria para a final da prova, com certeza. Eu jamais vou dizer que seria o campeão. Não vou usar de um palavreado que o próprio Baldini adotou e foi infeliz. Jamais vou subestimar os demais adversários, ainda mais se tratando de uma situação que não aconteceu”. 

Constata-se no testemunho do medalhista de ouro (Stefano), um depoimento desairoso, uma combinação de lamúrias invejosas e carência de ética esportiva, totalmente oposta aos valores olímpicos. Em verdade, doze anos após o incidente de Atenas, Vanderlei Cordeiro de Lima, humildemente se mantém à frente dos que querem impedi-lo de chegar em primeiro. [1] 

Nos dias que seguirão normalmente após as Olimpíadas do Rio, poderemos ansiar pelas excelsas competições da humildade, da fraternidade entre os povos, da indulgência, da beneficência, socorrendo-nos mutuamente, a fim de que a inveja, o despeito, a maldade, o ciúme, a miséria moral de qualquer casta fuja humilhada, cedendo lugar ao ingente desempenho do afeto, do respeito, do amor segundo o Messias de Nazaré o viveu e nos instruiu. 

A lição nos induz a refletir que poderemos estabelecer em nós mesmos o treinamento preparatório para o vínculo respeitoso, fraterno, solidário, dando início às futuras Olimpíadas do Evangelho cujo escopo do amor ao próximo será consagrada nas arenas do Orbe inteiro. 

Referência:

domingo, 14 de agosto de 2016

Resultado da pescaria



 Jane Maiolo



“Não é bom tirar o pão dos filhos e lançá-los aos cachorrinhos.”[1]


No ano de 1943, o médium mineiro Francisco Cândido Xavier, escrevia um cartão postal endereçado ao companheiro e então  presidente da Federação Espírita Brasileira Wantil de Freitas, rogando auxilio no controle doutrinário de suas produções mediúnicas.Chico escrevia assim: “(...) Façamos de conta que eu sou um pescador, no dizer de um Espírito amigo. Hei de enviar-te sempre o resultado da pescaria, e examinares o material, antes de ir ao  mercado, não é? Lançarás apenas o que achares de utilidade. (...)”[2]
            Há tempos venho notando no Movimento Espírita um crescer de obras mediúnicas ou não,livros proliferando,editoras surgindo repentinamente, enfim, um grande movimento das letras!
É preciso ter cuidado e coerência doutrinária com as obras que estão sendo oferecidas para os  nossos leitores.Fico bastante preocupada com a nova literatura que está surgindo:romances sem maiores instruções doutrinárias,livros na área da pesquisa científica e filosóficos que mais confundem que explicam, livros de autoajuda  e aqueles outros que nem sabemos classificá-los e que tampouco acrescentam algo.
A grande cilada dessa situação é que a maioria dos dirigentes espíritas não estão percebendo as artimanhas do comércio solapando e corroendo as mentes dos nossos companheiros/leitores .
 Afirma-nos Emmanuel no livro Caminho, Verdade e Vida que “é preciso permanecer vigilante a frente de tais sutilezas, porquanto o adversário vai penetrando bem os círculos do Espiritismo evangélico vestido nas túnicas  brilhantes da falsa ciência.”[3]
A Doutrina Espírita possui um tratado literário riquíssimo, um banquete para todos os gostos e infelizmente estamos nos contentando com as migalhas caídas ao chão.[4]
A codificação kardequiana possui mais de 30 obras e muitas delas desconhecidas, sem contar a quantidade de livros produzidos somente pela psicografia de Francisco Cândido  Xavier que apresentam em seu bojo conteúdo para  mais de mil anos de estudos e mesmo assim não conseguiríamos abarcar toda a essência da mensagem.Isto pensando apenas nesses dois autores , sem nos referirmos a outros grandes escritores da nossa Doutrina.
Já é tempo de apagar os holofotes do personalismo e da vaidade e acendermos o archote da humildade e prudência.
O  Espiritismo não é um meio de nos promovermos ,mas a oportunidade de nos iluminarmos pelos ensinos morais contido em sua vasta literatura.
Já é tempo de conter os abusos, as excentricidades, as explorações absurdas dentro das casas espíritas e oferecer aos que buscam o Cristo o que a nossa doutrina tem de mais puro, mais belo, mais consolador e esclarecedor , o pão que alimenta  a alma e sacia o espírito.

Referências Bibliográficas:
[1]  Mateus,15:26
[2] Schubert, Suely Caldas- Testemunhos de Chico Xavier-2ª Edição –pag. 30-  Federação Espírita Brasileira -1986- Brasilia / DF
[3]Xavier, Francisco Candido – pelo espírito Emmanuel – Livro: Caminho, Verdade e Vida
Capítulo: 144 – Que temos com o Cristo?-28ª Edição-1948- Federação Espírita Brasileira.
[4] Mateus 15:27


*Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP-Blog do Bruno Tavares. -Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. janemaiolo@bol.com.br -